Diz que é uma espécie de exames?

educacao_fisicaConcordei, desde o primeiro momento, com a abolição dos “exames da 4ª classe”, essa invenção absurda de Nuno Crato. Apoiei a reintrodução das provas de aferição, embora me parecesse, e mantenho a opinião, que seriam mais úteis e significativas se fossem feitas no final do 3º e não do 2º ano de escolaridade. Também elogiei a decisão de estender a avaliação externa a todas as componentes do currículo, deixando de a centrar, exclusivamente, no Português e na Matemática.

Contudo, os procedimentos que estão a ser adoptados em relação às provas das expressões artísticas e físico-motoras deixam-me apreensivo: alunos sem aulas, professores desviados das suas tarefas lectivas para ir “vigiar” as provas do 1º ciclo, alunos deslocados para ir fazer provas noutras escolas, equipamentos que nunca foram usados nas actividades físicas a serem instalados à pressa para serem estreados nas provas de aferição. Nada disto me parece sério nem pedagogicamente correcto.

Ao contrário dos exames, as provas de aferição, que não contam para nota, deveriam realizar-se nos espaços onde os alunos têm aulas habitualmente e em contextos que lhes são familiares. E em provas que “não contam para a nota”, aliás, que nem têm nota, não deveria haver esta preocupação de estar a preparar alunos e instalações como se de verdadeiros exames se tratassem.

Parece-me assim acertada e oportuna a posição da Fenprof, crítica da encenação, do formalismo e do artificialismo de provas que cada vez mais se confundem com exames. E lembra aos professores que estarão, neste processo, a ser sobrecarregados com tarefas que vão para além do seu horário lectivo, o que têm a fazer:

Nestes casos, a Fenprof considera que, aos professores, deverá ser “pago como serviço extraordinário todo o que acrescer à atividade já programada. Nesse sentido, os sindicatos da Fenprof disponibilizarão minutas aos seus associados para que requeiram, na respetiva escola, esse pagamento”, lê-se também no comunicado.

Em jeito de conclusão, é criticada toda a “encenação” que envolve a realização destas provas que deveriam, no entender da Fenprof, “decorrer da forma mais natural possível”.

“Espera a Fenprof que, o que se passar este ano, sirva, essencialmente, para o Ministério da Educação identificar os erros que estão a ser cometidos e, assumindo as suas responsabilidades, desde logo, apetreche as escolas dos recursos que lhes são devidos ao longo de todo o ano e, simultaneamente, corrija os procedimentos que estão a ser adotados”, remata a nota enviada aos órgãos de comunicação social.

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