Em Fátima, a escola pública não entra

pastorinhos.JPGEm vésperas de mais uma visita papal, a reportagem do DN encontrou em Fátima uma cidade moderna, erguida em torno do turismo religioso, onde a prosperidade dos negócios atrai novos moradores e residentes e, aparentemente, não falta nada.

“Quem cá vive, tem tudo o que precisa”, insiste Humberto Silva, bisneto do regedor que, em 1917, conduzia os destino daquela freguesia. […] Pelas contas que faz, 60 ou 70% das pessoas que hoje aqui moram não é de cá; veio de fora, trabalhar para os grandes hotéis e fábricas de artigos religiosos, para os museus e para os colégios – Sagrado Coração de Maria, S. Miguel e Centro de Estudos de Fátima. Na cidade não há ensino público secundário, “mas também não nos faz falta”, sublinha Humberto, ex-aluno de dois desses privados com contrato de associação. O que lhe permite aferir do crescimento populacional nos últimos anos são “as escolas primárias, pois são as únicas que não fecham salas, como à nossa volta. Ainda há dois ou três anos abriram mais salas”, aponta, otimista.

Discordo do Presidente da Junta, eleito pelo PSD: Portugal é um Estado laico, e levar a rede de ensino público, universal e não confessional, a todas as partes do país é um imperativo constitucional.

Fátima não deveria ser tratada como um feudo educativo da Igreja Católica, e se o Estado considera as escolas públicas das proximidades demasiado distantes como justificação para manter, por aqui, a vigência dos contratos de associação, então deveria assumir como seu dever criar na cidade pelo menos uma escola pública para todos os que não quisessem os seus filhos a estudar nos colégios religiosos.

Não há razões válidas para que Fátima permaneça como a única cidade portuguesa onde não existe ensino público a partir do 5º ano de escolaridade.

Nem deverá haver, entre os muitos milhões arrecadados pelo Santuário, falta de dinheiro para financiar as instituições religiosas que andam, há muitos anos, a ser pagas com o dinheiro do contribuinte.

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One thought on “Em Fátima, a escola pública não entra

  1. Na Arruda dos Vinhos (concelho) também não há ensino público a partir do 5.º ano.

    Em Vila Nova de Mil Fontes (odemira), idem.

    Aliás, nestas localidades subsistem os 2 únicos agrupamentos horizontais do país.

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