Em defesa da escola e dos professores

super-professor.pngManuel Carvalho da Silva sublinhava ontem, em artigo de opinião no JN, algumas ideias que também por aqui já têm sido defendidas. Há um indiscutível consenso social e político em torno da importância do investimento em educação para garantir o desenvolvimento económico e social do nosso país. Contudo, e apesar de o sistema educativo ter feito, ao longo das últimas décadas, significativos progressos, eles não se integram numa estratégia nacional que tire partido da maior qualificação dos jovens que todos os anos saem das escolas e universidades.

Apesar das críticas, Carvalho da Silva presta a justa homenagem às escolas e professores: se assim estamos, não é por culpa de quem todos os dias, nas escolas, dá o seu melhor em prol dos alunos.

A escola portuguesa aguentou-se, apesar do chorrilho de suspeições e ataques aos professores ao longo dos anos. Tais práticas, prosseguidas por governantes obcecados por projetos pessoais prenhes de determinismos, mas sem sustentação empírica e científica, e apoiadas por formadores de opinião sempre ao serviço das “propostas inovadoras” do poder e da cartilha neoliberal, desgastaram violentamente uma geração de professores, facilitaram a amputação de meios humanos e materiais à escola, prejudicaram a necessária renovação do quadro de professores nos diversos graus de ensino, alimentaram perigosas roturas entre gerações, complicaram as condições necessárias para uma boa gestão das escolas.

O antigo líder da CGTP dá o exemplo do Perfil do Aluno, documento que só terá utilidade e valor se a partir dele se encetarem respostas às necessidades do sistema educativo: melhoria da rede escolar, do currículo e da avaliação, rejuvenescimento da classe docente e verdadeira autonomia das escolas. E finaliza:

É insustentável a precariedade de trabalho que afeta cerca de 20 000 dos professores tutelados pelo Ministério e milhares e milhares de outros trabalhadores das escolas – alguns destes pagos a menos de 3 euros por hora, mas a desempenharem importante papel de acompanhamento de crianças e adolescentes. Não se pode ter apenas 451 professores com menos de trinta anos num universo de 110 000. Os professores não podem continuar a trabalhar, em média, 46 horas por semana entre atividade letiva e não letiva e sem carreiras dignas.

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