O Perfil do Aluno segundo o CNE

cne-perfil-parecer.JPGDepois de uma primeira tentativa falhada, ocorrida a 20 de Março, à segunda foi de vez e o Conselho Nacional de Educação lá aprovou o Parecer sobre o Perfil dos Alunos, que pode ser consultado clicando na imagem à direita.

Da leitura do documento, a ideia que me fica é que, na ânsia de produzir um parecer consensual, acolhendo as críticas e os contributos que terão resultado da discussão anterior, os conselheiros acabaram por produzir um documento ainda mais vago e rebuscado do que o Perfil do Aluno em apreciação.

No texto final hoje aprovado pelo órgão consultivo do Ministério da Educação, sobre o perfil que o Governo pretende que seja uma orientação para aquilo que devem ser as competências adquiridas ao longo de 12 anos de escolaridade”, defende-se que a sua operacionalização implica a “adoção de uma abordagem pedagógica interdisciplinar, que não se coaduna com a prevalência de uma lógica disciplinar acentuada”.

“Por isso, entende-se que será necessário realizar um esforço para se encontrarem equilíbrios e condições formativas e organizacionais para que as metodologias de acção se orientem para práticas pedagógicas e didácticas adequadas às finalidades enunciadas”, lê-se no parecer.

Entre as seis recomendações ao Governo que resultam deste parecer está a ponderação das implicações do novo perfil “na organização do sistema educativo, nomeadamente ao nível do currículo, das práticas pedagógicas e da formação inicial e contínua dos professores”.

O CNE entende também que o novo perfil pode “constituir o princípio da reversão” da tendência de aplicar mudanças no sistema educativo que “têm frequentemente surgido como acontecimentos, com avanços e recuos e sem tempo para consolidação”.

“O documento em análise poderá constituir o princípio da reversão dessa tendência, uma vez que desafia todo o conjunto da nossa estrutura educacional, constituindo uma referência orientadora das políticas educativas. A sua operacionalização implica alterações curriculares e de funcionamento das escolas, que se pretendem graduais, sustentadas e duradouras”, escrevem os conselheiros.

Defende-se ainda, neste parecer, que as mudanças curriculares sejam introduzidas de forma gradual, devidamente acompanhadas na sua aplicação e que envolvam não apenas as escolas mas também outras entidades com responsabilidades na formação integral de crianças e jovens.

E assinala-se que “a um novo perfil de aluno deverão corresponder um novo perfil de escola e um novo perfil de professor”. Pela minha parte, iria mais para a urgência de um novo perfil de sociedade, pois continuo a não perceber onde é que o aluno cooperante, solidário e colaborativo encaixa na sociedade cada vez mais egoísta, desigual e competitiva que andamos a construir.

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