Aviação, overbooking e jornalismo de sarjeta

O caso do cidadão norte-americano que foi brutalmente agredido e retirado à força do interior do avião porque a empresa de aviação decidiu que necessitava do seu lugar mereceu condenação generalizada, e é lamentável, primeiro, que as punições para estas políticas de empresa atinjam apenas os que as praticam mas raramente cheguem aos responsáveis que as aprovam e incentivam e, em segundo lugar, que o boicote dos consumidores às empresas united pela pouca estima que mostram pelos seus clientes seja geralmente sol de pouca dura.

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Este caso levantou também um velho problema da aviação comercial, o overbooking, a prática generalizada que permite às companhias venderem mais bilhetes do que o número de lugares existentes no avião. Este procedimento, se fazia algum sentido no tempo do booking, ou seja, quando os clientes reservavam o seu lugar mas  podiam à última hora decidir não comparecer ao voo, é hoje uma prática comercial verdadeiramente fraudulenta, uma vez que a generalidade dos passageiros compra a sua passagem antecipadamente e não é reembolsado se desistir da viagem. A sua persistência é por isso uma demonstração clara de como a legislação comercial continua a fazer prevalecer os lucros das grandes companhias sobre os direitos dos consumidores. Na Europa o overbooking é um pouco mais restringido do que nos EUA, onde o poder das big corporations dita a sua lei, e não deixa de ser curioso ter sido banido pelo menos por uma companhia aérea low cost, enquanto as suas congéneres de bandeira, incluindo a TAP, continuam a ser alvo de queixas dos consumidores nesta matéria.

Finalmente, uma nota para o pasquim online que se tem erigido como o novo farol ideológico da direita portuguesa e que hoje decidiu seguir a imprensa tablóide dos States no vasculhar da vida privada e dos “antecedentes” do médico de ascendência vietnamita barbaramente agredido. Um triste exemplo do jornalismo de encomenda ao serviço de grandes interesses, que procura, perante a verdade incómoda, os factos alternativos que possam envergonhar a vítima. Que vai fazendo escola lá por fora e que uma direita moderna e convencida de que tudo lhe fica bem vai tratando de importar, disputando taco a taco, com o Correio da Manhã, o troféu do jornalismo de sarjeta. O Observador anda a ver mal as coisas, e obviamente notícias destas não merecem link.

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