Falares alentejanos IV

alentejo4.JPGHonra d’ alegrete: Sobra; resto.
Imbeguéda: Barriga saliente.
Imbeguêra: Cordão umbilical.
Impostor: Vaidoso.
Inda bem não: Entretanto; quando menos se espera.
Inganido: Encolhido.
Ir à forja: Rejuvenescer.
Ir à murélha: Defecar ao ar livre.
Ir a troncos de: Ir à procura; ir atrás de alguém.
Ir ao grepe: Roubar.
Ir parar à rabeca: Ser denunciado publicamente.
Iscado: Enganado; borrado.
Iscar: Enganar; provocar uma má experiência.
Jaquina melhêna: Pessoa que gosta muito de beber chá.
Joãvaz: Variedade de feijão; testemunha de jeová.
Jogar à bugalhinha: Manipular alguém.
Judêrão: Pessoa que não respeita a religião católica; blasfemo; ateu.
Lã que vai prà bêra: Tarefa facilitada.
Lacão: Chispe de porco.
Lafaruso: Pessoa mal vestida, sem cuidados mínimos de higiene.
Lambariér: Conversar.
Lambérço: Abusador, pessoa que abusa da confiança que lhe dão.
Langanhoso: Remeloso; pegajoso.
Largueza: Quintal com uma extensão apreciável.
Lascarino: Bem humorado.
Lavados: Roupa suja.
Lavar o cu c’a água das malvas: Auxiliar.
Lavarinto: Confusão.
Lavutador: Sociável.
Lavutér: Relacionar-se socialmente.
Lebre: Pessoa libertina; mulher astuciosa.
Lêtebó: Rapaz; homem sem eira nem beira.
Língua de cabra: Pessoa que não é capaz de guardar um segredo.
Lua cabrêra: Loucura; desorientação.
Machorra: Fêmea (humana ou animal) que não produz crias.
Madrinhas: Vacas que conduzem um touro ao curro no final da tourada; cabrestos.
Magana: Mulher jovial, alegre e namoradeira.
Mal atrogalhado: Mal vestido.
Mal de canga, pior d’ arado: De mal a pior.
Malacueco: Rebuçado.
Malandamoso: Diz-se do caminho onde é difícil transitar mesmo a pé.
Malanquêras: Doenças; defeitos de personalidade.
Malaquetão: Espécie de pêssego; alperce.
Malasado: Desajeitado.
Malata: Ovelha nova, ainda quase borrega.
Manamafarda, fazer a: Roubar.
Mandar à fonte limpa: Insultar; mandar à merda.
Mandar cantar a plaima: Acabar com uma conversa inoportuna e irritante.
Manhoca: Pega do guarda-chuva.
Mareia: Orvalho matinal.
Marifrancisca: Vagina.
Marmita: Cara, face.
Marôvél: Vagabundo; pessoa suspeita.
Marrada: Pequeno bosque cerrado de carvalhos jovens.
Marralhêro: Febril.
Marrana: Corcova.
Marroquino: Campónio.
Martíros: Canto quaresmal que retrata cristo sofredor.
Martunto: Pessoa bruta, sem instrução nem bom senso.
Massêrão: Tronco escavado onde comem os porcos na pocilga.
Mastrançona: Mulher de má nota; boneca feia.
Matorral: Matagal.
Medalha: Nódoa na roupa.
Medir p’la mesm’ àrresôra: Avaliar do mesmo modo, pela mesma bitola.
Meia latinha: Um quarto de litro.
Meiarráte: Duzentos e cinquenta gramas.
Meipau: Prémio de consolação; mal menor.
Mejér à parede: Emancipar-se.
Mejêta: Corrente de água escassa.
Melagrento: Pessoa que se espanta em excesso.
Melégres: Manifestações de espanto, geralmente ruidosas ou excessivas.
Meter a penada: Intrometer-se.
Meter as cabras no currél: Vencer uma discussão.
Meter dente: Compreender.
Mexurfada: Comida mal confeccionada.
Mijamansinho: Pessoa falsamente ingénua.
Mina: Tesouro escondido.
Mingengra: Mulher desprezível.
Mitrigaita, de: Com personalidade difícil.
Mobília do ti’ zé brasuna: Mobília pobre.
Mocho: Diz-se do cabrito sem chifres.
Mofêdo: Matagal cerrado.
Molim:  Apetrecho almofadado para suportar a canga, que se coloca sobre o pescoço dos animais de tiro.
Monelho: Rolho de cabelo que se origina depois de uma mulher se pentear.
Monquefungo: Indivíduo feio, antipático e/ou ensimesmado.
Morder as orelhas: Namorar.
Môrinho: Criança que não recebeu o baptismo.
Morrinha: Mortandade.
Mortaço: Mortandade.
Mosca varejêra: Pessoa que escuta ou vigia o que os outros dizem ou fazem, com o propósito de contar as suas opiniões ou acções.
Motrêco: Pedaço de pão seco.
Moxinga: Porcaria; grande sujidade acumulada num espaço determinado.
Muguengo: Abóbora com cor alaranjada.
Murracinha:  Chuvinha, chuva molha parvos.
Murréça: Vinho.
Musgar: Chamuscar os porcos.
Não armar nada: Mostrar-se impotente na relação sexual.
Não crer que há bruxas: Não acreditar no que está provado.
Não mijar no seu penico: Não merecer confiança.
Não se agarrar a carapetos: Não escolher algo sem importância.
Não ter barriga pra caldos: Não ser capaz de guardar segredos.
Não ter um tostão partido p’lo meio: Estar falido, sem dinheiro.
Nascença: Cancro.
Nuvedéde: Colheita; rendimento da produção agrícola.
Nuvracêro: Nevoeiro.
Nuvrina: Neblina.
Ôsiér: Guardar o gado.
Ouvir tocar o sino grande: Ser repreendido.
Pachelgas: Pessoa lenta.
Padre e sacristão, ser: Falar muito; responder às suas próprias perguntas.
Padre-nossos castelhanos: Resmungos.
Paguilha: Pagamento.
Palavras ditas e retornadas: Conversa muito repetitiva.
Palhaça: Queda; tombo.
Panelinha: Combinação secreta; pacto; conluio.
Pangaiada: Patuscada; convívio entre homens.
Pantasma: Fantasma.
Papagaio real: Pessoa que repete tudo o que lhe dizem.
Paparratos: Massa das farinheiras frita em croquetes.
Papôla: Vagina.
Parcêras: Placenta.
Pardal da ‘sterquêra: Pessoa interesseira e ambiciosa.
Pardilha, com a: Alquebrado; preguiçoso.
Parir a galega: Haver grande número de pessoas num local.
Parôvão: Ingénuo.
Partir a cantareira: Surpreender.
Partir a soco: Cortar um alimento sem o auxílio duma faca ou duma navalha.
Passar a patacos: Vender.

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