A Educação segundo Anthromet

LDdu8YNn_400x400.jpgHá algum tempo que sigo no Twitter as observações certeiras e inspiradas deste professor espanhol de História e Geografia.

Frases curtas, que ali o limite são 140 caracteres, mas incisivas: transmitir desta forma ideias fortes e por vezes polémicas, fugindo aos consensos em que por cá gostamos de nos comprazer, não está ao alcance de todos.

Concorde-se ou não, vale sempre a pena ler, reflectir e, se necessário, discutir. Por isso partilho por aqui, com todo o gosto, alguns dos tweets de @Anthromet.

É uma pena que os melhores professores do mundo andem todos a dar conferências quando podiam estar a converter em génios a milhares de crianças.

A base do pensamento crítico são os conhecimentos. Quantos mais tiveres mais complexas e melhores serão as perguntas que podes fazer.

Se não tens conhecimentos serás incapaz de pensar por ti próprio.

Duvidar da utilidade de qualquer tipo de conhecimento é como olhares para um quadro com o nariz colado à tela e queixares-te que não vês nada.

O problema de cada vez mais gente é crer que o único conhecimento útil é o que te pode servir para ganhar dinheiro. Miséria intelectual.

Continuem a propagar a asquerosa mentira de que há conhecimentos inúteis e quando todos os alunos acreditarem nisso venham-nos falar de motivação.

Converter as disciplinas em objectos de diversão não é diferente de encher uma criança de presentes pensando que esse é o modo de a fazer feliz.

Matemática divertida, leituras divertidas, história divertida, a ciência pode ser diver… Parece-vos assim tão aborrecida a cultura em si mesma?

Há docentes que estão a tomar a inovação como uma questão de fé. Não necessitam de demonstrar nem comprovar nada: crêem sem questionar.

Confundimos inovação com seguimento de modas.

“Zona de conforto”: termo usado por gurus e coaches de todo o tipo para fazer sentir culpados os seus ouvintes e predispô-los  a comprar as suas merdas.

A inteligência artificial é só ilusão de inteligência, do mesmo modo que o cinema é só ilusão de movimento.

Acreditar que todas as perguntas são boas não é precisamente carecer por completo de pensamento crítico? Porque haverá perguntas melhores do que outras, e diria que para fomentar o pensamento crítico há que detectar erros nos argumentos, raciocínios e perguntas. Porque senão o que estamos a fomentar não é o pensamento crítico mas o relativismo.

Para quê fazer sexo se já está na internet? É uma parvoíce igual à dos que perguntam: para quê aprender isso se está na internet?

A escola pode mudar a sociedade, por isso nos encantam e aplicamos todas as metodologias propostas por empresas e neoliberais.

Desculpe, mas nós professores não trabalhamos às ordens dos empresários. Formamos pessoas, não empregados.

O professor nunca soube tudo, mas jamais se fez disso um motivo de orgulho, porque a ignorância combate-se, não se celebra.

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One thought on “A Educação segundo Anthromet

  1. Da lista de tweets, escolho o 1º porque o ligo à realidade portuguesa, nomeadamente ao ensino superior e universitário.

    Sei de investigadores jovens que escrevem e dão conferências atrás de conferências e que o que gostariam de fazer era mesmo ensinar. Mas as vagas são poucas e o que auferem é ridículo.

    Do ensino universitário pouco se fala. Os quadros parecem estar cheios de professores envelhecidos e já sem paciência para conferências, escritos e outros upgrades.

    Entretanto, estes jovens(?!!) vão para fora ou vivem como bolseiros parece que para o resto da vida.

    Gostar

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