Flexibilizar em cima do joelho

flexoes.gifTerminaram ontem em Viseu as Olimpíadas Portuguesas de Matemática. O ministro Tiago Brandão Rodrigues, presente no evento, aproveitou para garantir que o projecto-piloto da flexibilização pedagógica está a ir no bom caminho e que as escolas que a ele aderirem terão todo o apoio da parte do ministério. Mas não parece ter convencido os directores escolares:

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Manuel Pereira, disse que a flexibilização curricular – que o Ministério da Educação quer que arranque nas escolas já a partir de 2017-2018, em modelo de projecto-piloto – implica “pressupostos impossíveis de garantir” para algumas escolas, como a estabilidade do corpo docente.

Das reuniões que o secretário de Estado da Educação, João Costa, tem mantido com os directores escolares por todo o país não saíram ainda novidades relativamente àquilo que já é conhecido sobre a flexibilização curricular, garantiram Manuel Pereira e Filinto Lima, respectivamente presidentes da Associação Nacional de Dirigentes Escolares e da da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas.

Para Filinto Lima o prazo para dar início às reuniões específicas sobre o tema com as escolas que se voluntariarem para integrar o projeto-piloto não pode ultrapassar o início do 3.º período.

O responsável, que é diretor de um agrupamento de escolas em Gaia, Porto, disse ter vontade de integrar o projeto, mas só poderá avançar depois de consultar o Conselho Pedagógico, e reconheceu que as escolas que se candidatarem agora o fazem “às escuras”.

Manuel Pereira frisou, pelo seu lado, que ainda que considere que “é sempre boa altura para se avançar com um projecto-piloto”, não deixa de alertar que “implementar alterações nas escolas em cima do joelho, normalmente condena os projectos”, acrescentando que, quase a iniciar-se o 3.º período escolar, “ainda anda tudo a tentar perceber como se pode pôr em prática” a flexibilização curricular.

As dúvidas e objecções dos directores parecem confirmar algum desnorte e excesso de voluntarismo da parte da equipa ministerial. Conceberam uma reforma educativa quando aparentam não ter sequer condições para iniciar uma experiência pedagógica com uma base sólida e coerente. Estão a falhar quando semeiam a incerteza e a desmotivação entre os eventuais parceiros de uma aventura que parece ter tudo para vir a ser desastrosa.

Claro que teriam andado melhor se confiassem em quem sabe e ouvissem os professores no terreno, os que trabalham nas escolas, conhecem os alunos e as suas dificuldades e têm ideias concretas acerca do muito que poderia ser feito para melhorar as aprendizagens e os resultados dos alunos. Mas o socratismo e o lurdes-rodriguismo parecem ter deixado, no PS profundo, velhos hábitos que custam a desaparecer…

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