Sindicatos saem do ME de mãos a abanar

Hoje foi dia de mais um dos encontros regulares entre a equipa dirigente do ME e os sindicatos dos professores para tratar dos assuntos da agenda educativa que interessam directamente aos professores. Havia algumas expectativas que dali saíssem clarificadas algumas confusões dos últimos tempos e satisfeitas pelo menos algumas das expectativas da classe docente. Mas parece que não correu bem.

“Ou os professores se mexem e lutam ou não haverá descongelamento de carreiras em janeiro”, disse aos jornalistas o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (FENPROF), Mário Nogueira, no final de uma reunião com o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues.

De acordo com o dirigente sindical, a municipalização da educação (descentralização de competências para as autarquias) avançará também, mesmo com a oposição manifestada pelos sindicatos.

“Os professores têm de se fazer ouvir”, reiterou, recordando a manifestação marcada para o dia 18, em Lisboa, frente ao Ministério da Educação, e que poderá passar por um desfile pela cidade com uma faixa de 500 metros.

A Federação Nacional da Educação (FNE), que teve também hoje uma reunião com o ministro, no âmbito dos encontros regulares acordados com as estruturas sindicais, lamentou igualmente a falta de compromisso sobre o descongelamento das carreiras e a aposentação.

Segundo o secretário-geral da FNE, João Dias da Silva, o ministro remeteu a discussão para o quadro global do Governo e do Ministério das Finanças.

Não me custa perceber que enquanto não acabarmos de “salvar” todos os bancos portugueses dos desmandos dos seus administradores e accionistas não haverá dinheiro para recuperar o direito dos professores e dos restantes funcionários públicos a uma carreira condigna. Enquanto andarmos todos a trabalhar para o lucro dos bancos e do capital estrangeiro que tomou conta de quase todas as nossas maiores empresas, estaremos condenados à estagnação da economia nacional e ao empobrecimento mais ou menos generalizado dos cidadãos.

fenprof.pngUmas inevitabilidades levam às outras, e enquanto continuarmos apenas focados na miragem de uma actualização salarial ou uma mudança de escalão eternamente adiada, sem que se discutam as questões de fundo que originam a dívida e o défice públicos e a recorrente falta de dinheiro, bem podemos indignarmo-nos e convocar protestos, como a concentração de 18 de Abril já marcada pela Fenprof ou a greve de 26 de Maio, extensiva a toda a função pública, que nada de substancial acabará por mudar.

Contudo, se as questões financeiras são o que há muito sabemos, há outros temas onde poderia haver sinais de abertura do ministério face às fundadas apreensões e às justas reivindicações dos professores: as trapalhadas em torno da revisão que não é curricular mas mexe com os currículos, a municipalização da educação que estará a ser negociada ao pormenor com as autarquias às escondidas dos professores e o regresso insidioso da velha prática de desconsiderar os professores como agentes da mudança educativa, considerando que apenas precisam de mais “formação”, dada pelos mesmos de sempre, para se converterem ao reformismo iluminado do secretário João Costa e dos seus sequazes. Também aqui, ou os professores dão um forte sinal do seu descontentamento, ou continuarão a ser verdascados sem dó nem piedade…

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