Psicólogos desempregados

psic-escolar.pngEm 2016 estavam desempregadas 109 mil pessoas com ensino superior completo. Maioria dos diplomados desempregados tem o curso de Psicologia.

Ser a Psicologia o curso que forma maior número de desempregados com qualificações superiores, num país com esta triste realidade, não faz qualquer sentido:

O bastonário da Ordem dos Psicólogos defende que na área da saúde era preciso triplicar os cerca de 600 profissionais existentes para ter uma cobertura aceitável e nas escolas seriam precisos mais 500.

Em declarações à agência Lusa, Francisco Miranda Rodrigues garante que nestas duas áreas “o mínimo dos serviços não está garantido”.

Na área da Educação, segundo o bastonário, está prevista a contratação de 200 psicólogos este ano para as escolas, ao abrigo do Plano Operacional de Capital Humano (POCH), no fim do qual o rácio de psicólogos nas escolas deverá passar dos atuais 1/1.700 para um psicólogo para cada 1.100 alunos.

“Está assumido num protocolo entre a Direção-Geral da Educação e a Ordem dos Psicólogos, a coberto de fundos comunitários, a contratação de 200 profissionais para as escolas, numa primeira fase. Mas ainda faltam mais 300”, afirmou o bastonário.

A promoção da escola inclusiva, o diagnóstico precoce das dificuldades de aprendizagem e das necessidades educativas especiais, a orientação vocacional e os desafios trazidos pelo alargamento da escolaridade obrigatória aos 18 anos, tudo isto são razões que justificariam uma maior presença de psicólogos nas escolas. Em vez disso, a criação de mega-agrupamentos e o pretexto da crise económica serviram antes para reduzir ainda mais o rácio destes profissionais nas escolas públicas.

Na Saúde, continuamos irresponsavelmente a apostar na excessiva medicalização das doenças e perturbações mentais, menosprezando o importante papel da psicoterapia no seu tratamento, mais eficaz a longo prazo e sem efeitos secundários.

No sector da Educação, não deixa de ser uma boa notícia o recrutamento de mais psicólogos. O que é negativo é que isto se faça através de contratos precários e sujeitos às vicissitudes dos programas comunitários, pois para dar frutos o trabalho dos profissionais desta área precisa de continuidade. E as necessidades das escolas são permanentes, pelo que os seus quadros deveriam ser dotados do número adequado de psicólogos. Parece-me assim que está a ir no bom sentido a proposta recentemente apresentada pelo grupo parlamentar do PCP:

O PCP defende que os estabelecimentos públicos de ensino pré-escolar, básico e ensino secundário tenham, nos seus quadros de pessoal e de acordo com as necessidades específicas da comunidade escolar, o número adequado de psicólogos.

Segundo o Partido Comunista, o número de psicólogos nas escolas portuguesas tem vindo a ser reduzido, existindo nas escolas cerca de 778 psicólogos para 1 280 000 alunos e há vários casos em que há apenas um psicólogo para 2000 alunos.

O PCP considera que estes trabalhadores são essenciais às escolas pelo que as verbas para a sua contratação devem ser previstas anualmente em Orçamento do Estado e não através de fundos comunitários.

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