Videovigilância escolar com imagem tremida

camaras-indiscretas.gifSão 1150 escolas de norte a sul de Portugal, outras tantas centrais de monitorização, 11 500 câmaras e mais de 56 mil sensores que integram, desde o início do ano, um dos maiores sistemas de videovigilância escolar da Europa. Este projeto, ganho por três empresas nacionais, conseguiu recuperar a baixo custo grande parte do anterior equipamento, instalado em 2008, que se tinha tornado obsoleto por falta de manutenção e esteve para ser totalmente desligado no início de 2016. Tinha custado quase 25 milhões de euros. Neste concurso, o governo gastou 1,5 milhões, mas faltou o contrato para as reparações e ainda há um número elevado de equipamentos com problemas.

Os problemas com o renovado sistema de videovigilância escolar, que ao fim de três meses de funcionamento já trabalha aos soluços ou não funciona de todo, reflectem os velhos vícios da gestão à portuguesa, que os dinheiros fáceis da União Europeia vieram acentuar: planeia-se com ambição, opta-se pelas melhores soluções tecnológicas e, quando tudo corre bem, até se consegue ter as coisas a funcionar sem grandes atrasos nem excessivas derrapagens nos orçamentos iniciais. O que falha é a fase seguinte, a de manter operacionais os sistemas, fazer a manutenção preventiva, reparar ou substituir os equipamentos que avariam e planear atempadamente a renovação do material.

Ora a verdade é que um milhão de euros por ano para assegurar a manutenção dos equipamentos de videovigilância de todas das escolas públicas do país não pode ser considerado um custo excessivo, sobretudo se compararmos com o investimento inicial de 25 milhões. Ou com o que custaria a vigilância física feita por guardas-nocturnos, que antigamente existia, e que a instalação de câmaras e sensores remotamente controlados permitiu dispensar.

O que a todo o custo deve ser evitado é o adiamento dos problemas e o empurrar de custos e responsabilidades para as escolas e para os minguados orçamentos, enquanto os males se vão agravando. Não é boa conselheira a tentação de ir resolvendo “os casos mais urgentes”, tapando os buracos que logo se vão reabrindo noutros sítios, em vez de procurar uma solução global, duradoura e, já agora, com custos controlados.

 

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