A religião nas escolas públicas

padre.jpgCompreende-se que, nos tempos que correm, os professores de Educação Moral e Religiosa Católica evitem fazer proselitismo religioso e não queiram que as suas aulas sejam confundidas com sessões de Catequese. Os nossos colegas que leccionam a disciplina percebem a importância de tratar temas e promover actividades que interessem aos alunos que se inscrevem na disciplina. Até porque, se assim não for, as inscrições, e com elas a abertura de turmas e a existência de horários para os docentes, irão diminuindo irremediavelmente.

Nesta escola secundária a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) é tão popular que mesmo sendo a última hora e meia no horário, os alunos não deixam de aparecer. Mais surpreendente ainda, aparece até quem não está inscrito. Vêm porque “nesta aula podemos colocar dúvidas e somos ouvidos como não somos noutras disciplinas”. A explicação é dada por Bia e conta com acenos de concordância dos colegas em redor. Para o professor Jofre o sucesso da disciplina está ligado às atividades que fazem fora das aulas, mas também aos conteúdos e à forma como estão organizados. “Eles não vêm pela religião. E o nosso papel também não é o de fazer catequese, mas de os provocar. Eu provoco para eles pensarem e para deixá-los inquietos.”

Na aula a que o DN assistiu, o tema não podia ser mais adequado para estes jovens que têm entre 15 e 16 anos. Os estudantes de ciências económicas começaram a abordar o amor. “O importante é que eles descubram dimensões de si próprios que não conhecem, dentro dos valores e da cidadania de matriz católica”, aponta o professor.

Num Estado laico, haverá sempre fundadas dúvidas acerca da legitimidade de existir educação religiosa nas escolas públicas paga com o dinheiro de todos os contribuintes. O interesse de um elevado número de alunos, e das suas famílias, nestas aulas, será assim a melhor forma de assegurar a sua continuidade.

Já uma escola pública andar a ensaiar cânticos religiosos e a celebrar missas em horário lectivo é muito estranho. Um procedimento anticonstitucional e ilegal a merecer averiguações e apuramento de responsabilidades da parte do ME. Até porque poderá, ao que nos diz a notícia do JN,  não ser caso único.

Os alunos de uma escola básica de Alfândega da Fé andaram a ensaiar cânticos católicos nas aulas de Educação Musical para uma missa pascal que deverá realizar-se na escola, segunda-feira, em pleno horário letivo.

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