Violência escolar soma e segue

billy_bully_ready_for_a_fight_lg_clr[1]Bullying no interior das escolas, gangues que agridem e aterrorizam alunos, pais que irrompem pelas escolas e agridem professores e funcionários: nada disto é aceitável, nada justifica a violência física e psicológica sobre quem estuda ou trabalha nas escolas portuguesas. E mais inaceitável ainda é a complacência da sociedade para com os agressores, criando-se um sentimento de impunidade que só pode ajudar a perpetuar a violência e a lei do mais forte.

Nos últimos dias recrudesceu o número de casos noticiados pela comunicação social, de que aqui deixo uma breve resenha. Ainda assim, persiste a incómoda sensação de que isto é apenas a ponta do iceberg: de tão naturalizada em algumas comunidades escolares, a violência do quotidiano vai sendo varrida para debaixo do tapete e muitos casos nem sequer serão reportados, quanto mais noticiados.

Estudar a dimensão real do problema, incentivando as denúncias e as queixas e investigando os casos, definir procedimentos mais céleres e eficazes de actuação e distinguir a indisciplina, problema eminentemente escolar, das ofensas à integridade moral e física de alunos, professores e funcionários. Aqui falamos de verdadeiros crimes, que exigem uma moldura penal adequada à gravidade das situações, de forma a que a intervenção policial e judicial, em vez de apenas alimentar o sensacionalismo noticioso, possa aumentar o sentimento de segurança e dissuadir potenciais prevaricadores.

Um professor do 1º Ciclo, com cerca de 40 anos, foi agredido na tarde de sexta-feira pelo pai de uma aluna, em Setúbal. As agressões tiveram lugar à porta da escola EB1/JI de Setúbal, no bairro da Bela Vista, pelas 13h00. O docente foi sovado em frente a diversos alunos da escola, por um homem que acabou por ser identificado pelos agentes da PSP que se deslocaram até ao local das agressões.

Os pais e alunos da Escola Básica de Pombais, em Odivelas, estão preocupados com a insegurança no estabelecimento de ensino. “Roubaram o telemóvel da minha filha e há agressões constantes, venho buscá-la todos os dias por medo”, conta ao CM uma mãe, que não quer ser identificada por temer represálias para a filha. Outro pai cancelou ontem a matrícula da filha, que “já levou bofetadas” nos intervalos.

A PSP de Lisboa deteve, no passado dia 23 de março, três jovens, com idades compreendidas entre os 15 e os 18 anos, suspeitos de roubos nas imediações de uma escola. “Os três suspeitos abordavam as vítimas, com idades semelhantes, as quais se encontravam sempre em inferioridade numérica e sob coação e ameaça de agressão roubavam artigos como tabaco, telemóveis, colunas de som e roupa, tendo sido relacionados com outros roubos realizados na mesma área”, explica o comunicado das autoridades enviado às redações.

Aos serviços da APAV chegaram ainda 109 vítimas ‘bullying’, menos cinco do que em 2015, a maior parte 61,5% %) raparigas, com uma média de idade de 15,2 anos.
Os dados acrescentam que 58,7% das vítimas são crianças e jovens e 15,6% adultos. Quanto ao estado civil, 73,4% eram solteiras e 42,2% viviam numa família nuclear com filhos.
A maioria (68,8%) é estudante, sendo que 16,5% das vítimas encontrava-se a estudar no primeiro ciclo, 14,7% no segundo ciclo e 14,7% no terceiro ciclo.
Na maior parte dos casos (61,5%), o agressor era colega da escola.

Claro que igualmente condenáveis são os casos, felizmente bem mais raros, em que a agressão é cometida por um docente:

O Ministério Público acusou uma professora do ensino básico de uma escola de Braga de um crime de maus tratos, por alegadamente agredir física e verbalmente uma aluna, informou a Procuradoria-Geral Distrital do Porto.
Em nota publicada no seu site, aquela procuradoria refere que Ministério Público considerou indiciado que ao longo dos anos letivos de 2014/15 e 2015/16, a arguida, professora do 1.º, no seu exercício funcional como professora, bateu “por diversas vezes” numa aluna nascida em 2008.
A nota alude a pontapés, estalos e “croques” na cabeça. Diz ainda que a professora batia “com a mão aberta por trás da cabeça” da aluna, desferindo-lhe também pancadas na cabeça com uma vara de madeira.

Este não é um blogue corporativo, e factos como estes que estão agora a ser investigados, caso venham a comprovar-se, até podem ter causas para ter ocorrido; não podem é ter desculpa. A escola deve ser um lugar de tolerância zero à violência, e o primeiro e fundamental exemplo tem de ser dado pelos que lá trabalham.

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