O que move as associações de professores?

engraxar.gifA necessidade sentida pela Associação de Professores de Geografia de tomar a iniciativa de defender o Perfil do Aluno e a linha de actuação do ME perante algumas críticas, dispersas num mar de consensos, que o documento despertou, leva-me a colocar duas questões.

Primeira: o documento, que se disse estar em discussão pública, pode ser criticado? É que eu, na minha inocência, julguei que sim. E pensei também que as críticas pudessem estender-se à concepção e substância do documento, e não apenas à colocação das vírgulas ou ao acrescento de mais um parágrafo a dizer, mais à frente, mas por outras palavras, o que já se repetiu antes não sei quantas vezes.

Se o documento é para ser apreciado publicamente, o que tanto inclui o elogio como a crítica, então entende-se mal que, a algumas vozes isoladas que ousaram criticar, se tenha entendido que a resposta em manada de catorze associações de professores seria a melhor forma de calar as críticas.

Da minha parte, preferiria conhecer o pensamento próprio de cada uma das associações e acho que teria mais interesse saber a posição de cada uma, especificamente, sobre o dito perfil e os restantes documentos que estarão a ser preparados. Se é que pensam alguma coisa, o que neste momento já dá para duvidar.

O que me leva à outra questão: o que pensa a APG sobre as mudanças curriculares em estudo? Concretamente, sobre a possibilidade, já aventada pelo secretário de Estado João Costa, de a Geografia, tal como a História, passar a ser leccionada como disciplina semestral? Não vê aqui mais uma habilidade para, num aparente benefício do trabalho pedagógico, se retirarem ainda mais horas às duas disciplinas? A desvalorização curricular das ciências sociais e humanas estará no centro das preocupações da APG, e já agora da sua congénere de História, ou o que mais interessa é ficar bem na fotografia de apoio dos reformadores de serviço no Ministério da Educação?

Conviria esclarecerem devidamente, se não fosse pedir muito, os professores que representam.

 

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2 thoughts on “O que move as associações de professores?

  1. Estou um pouco confuso.
    Pensei que se estava a discutir o perfil do aluno e não a organização do ano escolar .
    As associações de natureza académica sempre estiveram do lado dos pressupostos ideológicos deste documento, ao contrário das Sociedades “científicas” . Basta lembrar a guerra já velha da APM e SPM.
    Se o documento valoriza a dimensão social e humanística a questão colocada não tem qualquer sentido.
    Acho que a principal preocupação de um docente de Geografia é capaz de ser o facto de ter 200 alunos e 9 ou 10 turmas com 2 tempos semanais. Isso acho que os preocupa.
    O resto é a o costume…

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    • A carta aberta das associações intitula-se, significativamente, Currículo para o século XXI. Começam por defender o perfil do aluno, que consideram o ponto de partida de um conjunto de mudanças curriculares, mas não ficam por aí.
      E nesse sentido é que pergunto se não haveria coisas mais importantes e urgentes a defender do que um documento tão vago e impreciso como o perfil…

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