Ser professor na Grécia

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Aula para refugiados

A reportagem do Expresso na Grécia descreve a situação nada invejável dos professores gregos, sobretudo aqueles que, apesar da idade e da experiência, continuam a alternar entre colocações precárias longe de casa e períodos de desemprego.

A professora Vivian Kleideri é formada em Física. Tem 37 anos, dá aulas desde 2007, mas nunca teve um contrato efetivo. Desde 2010, com a chegada da crise, tem assistido a um agravamento da situação para si e para os seus colegas.“Não há qualquer planeamento na educação, o único objetivo é poupar dinheiro”, diz.

Vivian passou os últimos três anos a ser colocada em escolas de várias ilhas gregas, como a de Kalymnos, uma pequena comunidade de 16 mil habitantes, a mais de 400 km de Atenas. Lá, caminhava diariamente mais de 6 km para ir de uma escola do agrupamento para outra: “Não há transportes públicos a toda a hora, como aqui em Atenas… Eu saía de uma aula às 11h da manhã, por exemplo, e só tinha autocarro dali a um bocado, mas a minha outra aula começava entretanto na outra escola. Portanto, tinha de ir a pé.”

É assim a vida de um professor contratado na Grécia. Para além da instabilidade e dos baixos salários (o ordenado de Vivian para 35 horas semanais, por exemplo, nunca ultrapassou os 1000 euros, e o ano passado já foi de apenas 750), soma-se a responsabilidade de vigiar os alunos nos intervalos, já que as escolas não têm funcionários suficientes, e de acumular cada vez mais horas de aulas.

Desde 2009, o número de professores foi reduzido em 34%, com a aposentação dos mais velhos e o despedimento dos mais novos, o que se traduziu numa sobrecarga de trabalho para os que continuam a trabalhar. Pois a natalidade não baixou da mesma forma – pelo contrário, a Grécia tem recebido um número elevado de refugiados, cujos filhos acabam por frequentar também as escolas gregas. Mas a União Europeia vetou a contratação faseada de mais 20 mil professores que o governo pretendia lançar.

Há casais de professores a serem colocados em locais distantes separados da família. E há os que não constituem sequer família perante o cenário de caos e incerteza. Mas há também muitos que gostam de ensinar e se dispõem a fazer todos os sacrifícios por uma profissão que os preenche por completo. E pelos seus alunos, que nem sempre entendem a irracionalidade e a desumanidade do sistema:

“Eles não entendem [porque temos de nos ir embora]. Pensam que vamos para outra escola porque há lá outros miúdos de quem gostamos mais”

 

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