O perfil do aluno explicado aos cépticos

ciclo-vicioso.JPGContinua o discurso redondo em torno do perfil de saída dos alunos no fim da escolaridade obrigatória e das mudanças curriculares em que se pretende envolver as escolas, os professores e também os pais e os próprios alunos.

Agora é Manuela Encarnação, uma das redactoras do perfil, um documento que ainda ninguém entendeu muito bem o que diz e para o que serve, que nos tenta esclarecer:

Em muitos lugares (escolas, turmas) é preciso mudar a forma como se ensina e isso pode passar, por exemplo, por mudanças nas salas de aula, pela organização de equipas pedagógicas que podem ser formadas por professores de várias áreas disciplinares e que se poderão organizar em várias modalidades e variar ao longo do ano letivo.

Pode ser complicado? Pode. Mas é possível e, provavelmente, deve ser diferente de escola para escola de acordo com as características dos contextos de cada uma. Acredito que os professores colaborativamente conseguirão arranjar soluções criativas para que as aprendizagens dos alunos se tornem mais motivadoras, significativas e efetivas.

 É preciso desformatar o pensamento e pensar para além do que existe neste momento: o Ministério da Educação deverá funcionar fora da estrita lógica normativa e as escolas e professores não podem ir a correr pedir instruções ao ministério.

Se percebi bem a explicação, diria que a coisa funcionará assim:

Estais lixados.

Estavam todos habituados ao currículo arrumadinho em disciplinas, cada uma com o seu programa, a sua avaliação e a sua nota no fim de cada período?

Pois agora terão de gerir os currículos, tirar daqui e pôr acolá, deitar fora a tralha que não interessa, criar projectos interdisciplinares, envolver os alunos em muito trabalho de projecto e educação para a cidadania, trabalhar em equipa mas cada um para seu lado, pois não haverá horas para estarem todos juntos ao mesmo tempo com os alunos.

O nosso trabalho foi desformatar o currículo e desarrumar ideias feitas; o vosso irá ser voltar a organizar tudo num esquema que funcione e, acima de tudo, produza sucesso.

E não nos venham perguntar como é que se faz, que nós também não sabemos. Desenrasquem-se.

Cá estaremos no fim para avaliar o vosso trabalho e apontar o dedo ao que não correr bem.

12 thoughts on “O perfil do aluno explicado aos cépticos

  1. “O nosso trabalho foi desformatar o currículo e desarrumar ideias feitas; o vosso irá ser voltar a organizar tudo num esquema que funcione e, acima de tudo, produza sucesso.E não nos venham perguntar como é que se faz, que nós também não sabemos. Desenrasquem-se.”

    Caso não desse para sorrir, dir-se-ia que parece ser este o objectivo da “reforma”, ou seja, trabalhem em projecto com isto, operacionalizem flexibilidades e transversalidades e , sobretudo, ponham em acção as 10 competências do perfil do aluno.

    Primeiro, fazem as escolas e os professores; depois, passem a informação aos alunos e comunidade escolar alargada e envolvente.

    A gente dá umas formações em roadshows e powerpoints, com quadros interactivos e muitos mobiles e tablets – tendo por base o e-learning e mais o blend-learning, e mais o empowerment e o benchmarking, as startups, os crossfundings e o entreperneurship……e muito brainstormings.

    Lets make Schools great again!

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  2. Para o Alexandre,

    E que tal uns testes psicotécnicos para os professores, no meio disto?

    (estou a brincar, estou a brincar…..)

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