Censura e cobardia na FCSH

j-nogueira-pinto.JPGUma conferência marcada para terça-feira na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e que tinha como convidado o historiador Jaime Nogueira Pinto, foi cancelada devido à pressão contra a entidade responsável pela organização, a “Nova Portugalidade”, considerada pela Associação de Estudantes como “nacionalista e colonialista”.

Leio e custa-me a acreditar que uma Associação de Estudantes tenha agora direito de veto sobre a realização de conferências académicas numa faculdade portuguesa. Que se arroguem o direito de fazer ameaças e, mais grave do que isso, que a direcção da faculdade ceda à intimidação e à prepotência, cancelando o evento.

Não sei se a associação de estudantes é, como sugere o conferencista agora desconvidado, “de orientação maoísta”, mas que esta prática censória de impor o silêncio e ameaçar com punições físicas aqueles de quem se discorda faz lembrar as piores práticas da revolução cultural de Mao e do seu “Bando dos Quatro”, isso é bem verdade.

JNP é um homem de direita que nunca escondeu as suas ideias, e logo por aí merece respeito num país de direitolas envergonhados que se acobertam sob a capa do “centrismo” e da “social-democracia”. É também um académico prestigiado e só ficaria bem aos dirigentes estudantis da FCSH ouvirem-no antes de se apressarem a rotular e a ostracizar. Se o consideram um adversário político, nada como conhecer as suas ideias, até para melhor as combater. A não ser que sejam tão frágeis as convicções esquerdistas dos contestatários que temam que os argumentos de Nogueira Pinto os façam perder a fé.

Sou ouvinte ocasional do programa Radicais Livres, na Antena 1, onde JNP discute temas da actualidade com o comunista Ruben de Carvalho. É um dos melhores programas do género na rádio portuguesa, proporcionando um debate baseado, não na ideologia ou na militância partidária, mas no enquadramento histórico, cultural e geopolítico dos assuntos tratados. Curiosamente, independentemente do posicionamento à esquerda ou à direita dos interlocutores, são muitas mais as concordâncias de pontos de vista do que as divergências entre ambos. Que é o que sucede habitualmente quando debatemos com conhecimento, ponderação e elevação em vez de apenas esgrimirmos slogans, insultos e preconceitos.

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2 thoughts on “Censura e cobardia na FCSH

    • O engraçado é que J. Nogueira Pinto pode ser um nacionalista, que é um conceito fora de moda, mas parece-me politicamente menos à direita do que toda aquela trupe neoliberal que rodeia o Passos Coelho.

      Basta ouvir um pouco das conversas semanais dele com o Ruben de Carvalho para perceber isso.

      Aliás, a velha guarda dos intelectuais de direita – Adriano Moreira, Freitas do Amaral, Pacheco Pereira, até mesmo Marcelo Rebelo de Sousa – passam hoje por esquerdistas quando os comparamos com os direitolas do PSD e do CDS.

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