Premonitório?

dia-do-soldadoA Suécia vai restabelecer o serviço militar obrigatório a partir de 2018. Um relatório revela que a abolição em 2010 complicou o recrutamento para as forças de defesa do país.

Segundo as conclusões de um relatório elaborado para o Ministério da Defesa, o serviço militar será obrigatório para todos os suecos nascidos depois de 1999.

A decisão tem de ser aprovada pelo parlamento e cerca de quatro mil jovens devem ser chamados anualmente.

Com o fim da guerra fria e a desagregação do antigo bloco de Leste, para fazer face  à necessidade de reduzir custos e efectivos e, simultaneamente, enfrentar os novos desafios que se passaram a colocar às forças armadas, quase todos os países da Europa Ocidental acabaram com o serviço militar obrigatório, substituindo-o pelo voluntariado.

Mas o “fim da História” anunciado ali pela viragem do milénio afinal não se concretizou. A globalização neoliberal, longe de promover a paz, a concórdia e a prosperidade, acentuou as desigualdades e as rivalidades. Nacionalidade, etnia, religião, género, opções de vida, tornaram-se pretextos para a discórdia e o conflito, e o mundo parece aproximar-se perigosamente, não direi de uma guerra global que seria a destruição da humanidade como a conhecemos, mas de uma nova escalada de desconfianças e conflitos que não sabemos bem até onde poderá chegar.

Na Suécia, parece ser a crescente presença militar russa no Mar Báltico o principal motivo de apreensão, o qual, aliado ao facto de o voluntariado não estar a permitir suprir todas as necessidades de recrutamento para as forças armadas do país, justificará a reintrodução da tropa obrigatória. A medida irá abranger jovens dos dois sexos e é aparentemente apoiada por todos os principais partidos, pelo que deverá ter assegurada a aprovação parlamentar.

Restará saber se a iniciativa sueca será um acto isolado e sem repercussões internacionais, ou se, pelo contrário, não será o sinal de um novo paradigma de defesa que acabará por ser adoptado pelos restantes países europeus.

Não sei se voltaremos, em Portugal, ao tempo dos magalas, mas desconfio que já estivemos mais longe…

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