Programação no 1º ciclo

programar.gifO projecto-piloto que levou a Iniciação à Programação a um conjunto de turmas dos 3º e 4º anos de escolaridade foi lançado ainda pelo ministério de Nuno Crato e decorreu no ano lectivo 2015/16. A avaliação dos resultados desta iniciativa, da responsabilidade do Centro de Investigação em Educação e Psicologia da Universidade de Évora, foi agora divulgada:

Se o Ministério da Educação (ME) decidir renovar e alargar a todas as escolas do 1.º ciclo do ensino básico a oferta de iniciação à programação de computadores – criada em regime experimental em 2015/2016, para aumentar os níveis de literacia digital dos alunos – deve abandonar a perspectiva “utilitária da empregabilidade” que lhe estava subjacente. E deve, por outro lado, cuidar que todas as escolas disponham dos computadores, ligações à Internet e profissionais necessários “para garantir as condições de aprendizagem adequadas a todas as crianças e jovens das escolas da rede pública”.

Se a grande maioria dos professores envolvidos acharam a iniciativa enriquecedora para os seus alunos, não deixaram de criticar os seus objectivos redutores: em vez de querer formar programadores de palmo e meio, ou de estar a pensar na empregabilidade futura de petizes de 8 ou 9 anos, as actividades com os computadores deveriam articular-se mais com os conteúdos, objectivos e competências previstos nos programas escolares e adequados ao nível etário destes miúdos.

E depois, a informática tem outro problema: não funciona apenas com palavras bonitas e boas vontades. São precisos computadores adequados às tarefas a realizar, devidamente mantidos e configurados, ligações à internet rápidas e fiáveis e, não menos importante, em número suficiente. Na “escola do século XXI”, que noutros contextos tanto se gosta de falar, não faz sentido o “computador para dois alunos” que representa sempre uma utilização pobre e pouco produtiva de uma máquina concebida para uso individual.

A falta de formação foi outro problema apontado por uma parte dos professores do 1º ciclo envolvidos no projecto, que gostariam também de ter sido mais apoiados por colegas de Informática e da Educação Especial. Estes últimos, para que as vantagens pedagógicas do programa pudessem ter sido mais bem aproveitadas pelos alunos com necessidades especiais.

A maioria dos inquiridos é favorável à continuidade do programa, devendo ser corrigidos os problemas encontrados ao nível do material informático disponibilizado, da sua conectividade e da formação de professores. Mas não querem a integração da programação informática no currículo do 1º CEB: preferem que continue a ser uma oferta complementar ou actividade de enriquecimento curricular.

 

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