Grupo de Língua Gestual Portuguesa vai avançar

Flash_Bem+vindo.gifO Ministério da Educação vai “avançar com a identificação e definição dos requisitos de habilitação e profissionalização para a docência da Língua Gestual Portuguesa (LGP) nas escolas públicas”, anunciou esta tarde o gabinete do ministro Tiago Brandão Rodrigues.

Os técnicos de LGP, que trabalham com alunos surdos, são atualmente recrutados fora dos concursos de professores – por não terem grupo de recrutamento – e também não podem por isso entrar para os quadros do Ministério da Educação, para além de serem sistematicamente colocados nas escolas já com os anos letivos em curso. A criação de um grupo de recrutamento para estes docentes é uma reivindicação antiga.

Para esta ser verdadeiramente uma boa notícia para os professores de LGP, uma das três línguas oficiais portuguesas, fica a faltar o compromisso de abrir os lugares do quadro correspondentes já no próximo concurso. Mas não. Pelo Público ficamos a saber que só está previsto que isso suceda para 2018/19 e que a demora é justificada pelos estudos que será necessário fazer em torno das habilitações e de outros requisitos a exigir a estes docentes. O grupo de trabalho nomeado para o efeito só terá de apresentar resultados no próximo ano lectivo.

A desculpa a meu ver não pega, pois o ME há muitos anos que contrata estes professores, conhece as suas habilitações e acompanha o seu trabalho – ou deveria fazê-lo. Além de que existe uma rede oficial de 17 escolas de referência para alunos surdos, além de outras tantas que, não sendo de referência, também têm destes alunos, onde a LGP é ensinada e usada como meio de comunicação. Pelo menos nas escolas ditas de referência não deveria haver dúvidas da necessidade de abrir pelo menos um lugar neste novo grupo de recrutamento.

Tudo isto me cheira a lamentável pelintrice, pois estamos a falar, para todo o país, de menos de uma centena de professores que têm assegurado, de forma precária, uma necessidade permanente de uma escola e um sistema educativo que se dizem inclusivos. Valorizar o seu trabalho e estabilizar o seu vínculo aos quadros das escolas onde têm prestado serviço seria um acto da mais elementar justiça.

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2 thoughts on “Grupo de Língua Gestual Portuguesa vai avançar

  1. Os professores de LGP tem exatamente a mesma habilitação que os tradutores e intérpretes. Não faz sentido integrar uns, excluindo outros. Fazem todos parte de um grupo vasto: o dos técnicos especializados (onde se encontram também os psicólogos, terapeutas, educadores sociais, mediadores….), sem os quais a escola dita inclusiva é uma miragem.

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    • Sou, naturalmente, a favor da integração de todos, tendo em conta as necessidades efectivas de cada escola ou agrupamento.
      Claro que se uma escola necessita pontualmente de um técnico ou professor de determinada área, a solução é a contratação.
      Agora se é uma necessidade permanente, então deve ter no seu quadro de pessoal os profissionais necessários a um trabalho de continuidade.

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