Dinheiro para as bicicletas

girl-on-bicycle-animation[1]Mais sério do que o recurso aos fundos europeus para promover o consumo interno enquanto se brinca ao empreendedorismo, iniciativa inconsequente que se esgota por si mesma quando acabar o dinheiro, é a dependência que se está a criar em relação aos programas comunitários que estão a ser usados, não para investir mas, cada vez mais, para assegurar despesas correntes de funcionamento.

Bolsas de doutoramento, apoios a estudantes carenciados, museus e até bicicletas. O dinheiro europeu serviu para um pouco de tudo no ensino superior ao longo dos últimos três anos. No total, o país foi buscar mais de 640 milhões de euros aos vários programas de fundos comunitários do Portugal 2020, dos quais 348 milhões estão a pagar gastos em despesas correntes do sector e projectos que não estão directamente relacionados com o ensino ou a ciência.

Também os cursos Técnicos Superiores Profissionais, que pretendem dar continuidade, nas escolas politécnicas, aos cursos do ensino secundário profissional, têm estado a ser, tal como estes últimos, a ser financiados com dinheiro europeu.

Ora esta opção, que já vem de anteriores governos, de subfinanciar a Educação, recorrendo a verbas de fundos europeus para pagar grande parte das despesas neste sector, significa que se condicionam os investimentos e as opções de política educativa, não ao rigoroso levantamento das necessidades ou às efectivas prioridades, mas aos critérios de candidatura dos programas europeus. E deixa-nos fundadas apreensões sobre o futuro da Educação portuguesa quando se acabar o dinheiro da Europa.

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3 thoughts on “Dinheiro para as bicicletas

    • Exacto, é o caso das antigas escolas técnicas que estão focadas nos cursos profissionais.
      Importante é perceber-se que, quando se pretende chegar a 50% dos alunos do secundário colocados nestes cursos, há outros interesses além dos dos alunos, das empresas ou da sociedade.
      Da mesma forma, a municipalização da educação vai avançando não porque os autarcas morram de amores pelas escolas, mas porque através das câmaras se vai mais facilmente ao “pote” do dinheiro europeu para as construções escolares.

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  1. O uso de bicicletas tem alguns problemas, entre os quais a falta de ciclovias seguras.

    E agora lembrei-me daquela escola , a seguir ao 25 de Abril, financiada por fundos europeus. Se bem me lembro, havia um bom espaço que só depois de muito se pensar, se chegou à conclusão que era para os alunos guardarem skis e todo o material apropriado à neve.

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