Com o liberalismo me enganas

mais-liberal.jpgO Expresso conta-nos coisas sobre o grupo que se organizou em torno do Manifesto Portugal Mais Liberal e que se pretende tornar-se um partido político.

Sendo um defensor incondicional das liberdades e dos direitos humanos, nunca me identifiquei com o liberalismo económico, uma doutrina que historicamente serviu para, a coberto de uma liberdade formal que em teoria é garantida a todos, promover a apropriação privada da riqueza e dos meios de a produzir, gerando uma crescente desigualdade social que é a negação, na prática, das liberdades apregoadas.

E quem são estes “novos” liberais?

Aparentemente, e a julgar pelos dois ou três espécimes que aparecem a dar a cara pelo movimento, gente de boas famílias,  com curso da Católica e dois apelidos a uso. Que a liberdade económica sabe sempre melhor quando se parte com vantagem em relação à maioria dos competidores, graças ao património material e relacional da família.

São adeptos da livre iniciativa, mas ganham a vida como professores universitários ou quadros superiores da função pública, como aliás tem sido tradição do liberalismo português, sempre encostado ao Estado, avesso ao risco e acomodado ao salário certo no fim do mês.

Querem menos Estado, mas não é o emprego deles, em concreto, que esperam que o Estado suprima no seu esforço para se tornar mais pequeno. No que seguem, aliás, os exemplos dos ramos, espadas, malteses e outros liberais dos quatro costados que nunca quiseram aliviar o contribuinte do peso dos seus ordenados.

Dizem que não são de esquerda nem de direita, e que essas divisões estão ultrapassadas, o que, como se sabe, tem pelo menos um significado claro: quem recusa a dicotomia esquerda/direita é, regra geral, de direita.

Querem fazer política “na net”, contra os que tradicionalmente a fazem na rua. E esperam, aparentemente, cavalgar a onda de um “problema geracional” que dizem existir em Portugal. Será a reedição da “geração grisalha” de que falava em tempos um outro liberal, esse do PSD?

Também andam a encetar contactos internacionais com outros partidos liberais e parece terem já uma ambição definida: quando forem grandes, querem ser em Portugal aquilo que o Ciudadanos é hoje em Espanha. Ou seja, uma direita de cara lavada, liberta do conservadorismo social e da corrupção económica que hoje tolhem a credibilidade e o campo de acção das direitas tradicionais. Equidistante do PS e do PSD mas apta a entender-se com qualquer um deles. O centro do centrão, se assim pode dizer-se. Duvido é que ainda haja espaço para mais um partido naquela que será a zona mais mal frequentada do espectro político português…

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