Justino dos Milhões

justinoupsidedownDavid Justino, ex-ministro da Educação e ainda presidente do Conselho Nacional de Educação, continua a sua cruzada pessoal contra as turmas mais pequenas.

Ao arrepio de todas as evidências que demonstram que as turmas reduzidas permitem o acompanhamento mais individualizado dos alunos com dificuldades, o que se torna impossível em turmas grandes, Justino insiste num argumento tosco:

“Se se aumentar ou reduzir o número de alunos por turma e se ensinar da mesma maneira as aprendizagem não melhoram nem pioram”, disse David Justino durante uma audição no âmbito do grupo de trabalho parlamentar que analisa três projetos de lei dos partidos Os Verdes, PCP e BE.

Ou seja, dá-se por adquirido que os professores portugueses ensinam sempre da mesma maneira, talvez a exemplo do ex-ministro que também diz sempre a mesma coisa, e assim sendo não vale a pena diminuir o tamanho das turmas: continuam grandes que saem mais baratas. Ora a verdade é que os professores não ensinam sempre da mesma maneira: são condicionados, isso sim, pela dimensão das turmas, a sua heterogeneidade e as características e dificuldades específicas dos seus alunos. E mesmo quando as práticas pedagógicas não mudam substancialmente, só o facto de haver menos alunos na sala permite aumentar a frequência das solicitações e das intervenções de cada um.

Mas agora, ao argumento da inépcia dos professores junta-se o do custo excessivo das novas turmas que os projectos em discussão no Parlamento implicariam:

Segundo dados do presidente do Conselho Nacional de Educação, o projeto de lei do partido Os Verdes representa um aumento de 29 por cento do número de turmas, mais 26.700 docentes, um acréscimo de 570 assistentes sociais e um custo global de 727 milhões de euros.

O projeto-lei do Partido Comunista Português, adiantou, representa um aumento de 26,3 por cento de turmas, mais 24.600 docentes e 3.836 assistentes sociais. Em termos financeiros o aumento será de 703 milhões de euros.

Sobre o Bloco de Esquerda (BE), o Conselho Nacional de Educação estima que o custo do projeto de lei proposto seja de 513 milhões de euros, com um aumento de 18,4 por cento do número de turmas e, de mais 17.500 docentes e 3.900 assistentes operacionais.

Duvido muito da metodologia e da seriedade com que estas contas terão sido feitas. Em muitas escolas do país já existem de facto turmas reduzidas, pela inclusão de alunos com necessidades especiais e noutros lados elas não se formam apenas porque o ME as não autoriza, pois as escolas conseguiriam pô-las a funcionar sem aumento significativo dos custos. Há, pelo país fora, professores com insuficiência de tempos lectivos, destacados por doença sem existência de vaga e outras situações em que abrir mais turmas seria, não um aumento incomportável de despesa, mas acima de tudo um melhor aproveitamento de recursos humanos preexistentes.

Como muito bem lhe foi recordado na audição parlamentar, o CNE deveria avaliar, não o impacto orçamental, mais sim o impacto pedagógico das iniciativas em discussão no Parlamento. A análise dos encargos financeiros decorrentes de uma redução do número de alunos por turma teria de ser sempre feita a nível ministerial e não se resumem a meia dúzia de contas de somar e multiplicar feitas na calculadora do doutor Justino.

Contudo, tendo em conta que estará para breve o final de mandato como presidente do CNE e valorizando o crescente interesse de David Justino pelos assuntos financeiros, ainda pergunto: não haverá lugar para esta eminência do regime no Conselho de Finanças Públicas, onde superiormente zelaria pelo bom uso do dinheiro do contribuinte?

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One thought on “Justino dos Milhões

  1. A gente farta-se tanto destes personagens, ai, mas tanto……

    É que eles falam , falam, mas dizem sempre o mesmo e o seu contrário, o que sabem (?!) e o que não sabem.

    Gostar

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