Namoros violentos

viol-namoro.jpgTalvez não seja muito romântico falar de violência no Dia dos Namorados, mas o facto é que a violência no namoro continua a ser um problema latente nas relações afectivas de jovens e menos jovens. Que mais tarde descamba, com frequência, em episódios ainda mais graves de violência doméstica de que todos, infelizmente, vamos sabendo com regularidade.

Nas escolas trata-se por vezes destes assuntos no âmbito da Educação Sexual ou de outros projectos e actividades, e dá para perceber que, pelo menos lá para os meus lados, a malta está razoavelmente informada sobre o assunto. Em teoria, sabem reconhecer a maioria das situações e sinais de abuso e são capazes de dizer o que admitiriam ou não a um/a namorado/a. O problema é que as paixões adolescentes podem ser muito fortes e a intensidade com que se vive a relação pode retirar algum discernimento e disfarçar aquilo que, noutras circunstâncias, saltaria à vista enquanto abuso, agressão ou humilhação.

Para abordar pedagogicamente a violência no namoro começa a encontrar-se uma variedade cada vez maior de sites, cartazes, vídeos e outros materiais que ajudam a motivar, enquadrar e aprofundar o tema. Deixo dois curtos vídeos, o primeiro relativo a uma campanha que está a decorrer junto de jovens universitários e o segundo que mostra as reacções de alguns meninos italianos quando, entre outras coisas, lhes é pedido que batam numa menina.

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2 thoughts on “Namoros violentos

  1. Quando eu era jovem não havia dia de S. Valentim, Depois importaram isso. Tudo bem. Era assinalado nos meios de comunicação com poemas eróticos, referências a literatura amorosa, sugestões de passeios de nova lua de mel, de jantares em restaurantes, etc, etc.
    Este ano só vi referências a cenas de violência doméstica e de violência no namoro. Deprimente. Desde a TV aos blogues incluindo este. Deprimente. Obsessivo!!
    Depois aparecem umas malucas a falar dos novos conceitos de violência no namoro, violência psicológica etc. Este conceito (violência psicológica) dá para tudo, não há nada que não seja violento e parece que aspiram a que, por intervenção dos psicólogos, psiquiatras e fármacos, desapareçam todos os conflitos e mal entendidos. Um mundo asséptico, onde não há desentendimentos nem conflitos nem atritos, enfim um mundo de mortos. Nem discordâncias, tudo com a mesma opinião.
    Percebo que os psicólogos e os sociólogos têm de ganhar a vida! E ganham inventando conceitos, depois distribuem inquéritos, aplicam uma Estatística elementar, tiram conclusões e eis mais uma investigação para o curriculum.
    Apliquei ao meu caso. Estou casado há mais de 50 anos sempre com a mesma pessoa e pensava eu que foi um casamento de sucesso. Mas se aceitar a definição de violência, sobretudo a psicológica, concluo que eu e a minha mulher devíamos estar na cadeia há muitos anos.
    Felizmente o palavreado das tontas (digo tontas porque vi e ouvi sobretudo mulheres ornamentadas com o título de investigadoras na matéria) não chega ao céu (por enquanto, mas nunca se sabe). Até já pensei em recorrer a um psicólogo (ou a um padre que me absolva) pois sou um dos tais da violência psicológica. E a minha mulher ainda é pior do que eu. Os dois para a cadeia já.
    As imagens que colocou neste post do seu blogue entristecem-me por que se deixou arrastar na onda.

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    • Eu não sou muito de falar no óbvio, que neste caso seria o romantismo associado ao dia, acrescido da oportunidade de vender mais umas bugigangas para dar de presente à cara-metade. Mas reconheço pertinência à sua observação: este ano falou-se e escreveu-se, sobre violência no namoro, mais do que é habitual.

      Mas há uma razão para isso, e tem a ver com a persistência de comportamentos agressivos, humilhantes e controladores na relação a dois. Não me parece que seja apenas invenção de sociólogos e psicólogos, nem estou a pensar nas normais zangas, discussões ou desentendimentos entre namorados ou casados. Mas há violência verbal e física que é usada para humilhar e controlar o parceiro. Em ambos os sexos. E, aparentemente, tudo isto tende a ser encarado com normalidade por uma percentagem elevada de jovens portugueses. Que tantas vezes culmina, em adultos, em mortes e agressões graves, infelizmente bem reais.

      Acho importante, num blogue dedicado à educação, falar-se destas coisas, porque é preciso encontrar formas de abordar estes assuntos com os jovens e ajudá-los a perceber e a distinguir, numa relação amorosa, aquilo que são discórdias normais numa relação entre duas pessoas diferentes mas com os mesmos direitos e a mesma dignidade, do que é ofensa grave, abuso, humilhação ou agressão.

      Por último: tentei, com o segundo vídeo, fugir aos clichés habituais nesta matéria e deixar uma mensagem de optimismo

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