A novela interminável da CGD

centeno.JPGJá não há paciência para a novela interminável em torno das declarações de rendimentos que António Domingues e os seus comparsas na administração da CGD queriam ser dispensados de apresentar ao Tribunal Constitucional.

Ficam mal, desde logo, os partidos da direita, porque obrigam a relembrar que em matéria de mentiras, irregularidades e falta de ética e seriedade no exercício de cargos públicos houve no seu governo situações bem piores do que as mentiras e as trapalhadas que imputam ao ministro Centeno. Só que, escudados na maioria absoluta e no presidente conivente, passaram por isso tudo com a arrogância típica de quem se acha acima das moralidades e das leis que aplicam aos outros.

Sai chamuscado Mário Centeno, que no afã de assegurar aquilo que considerava ser a melhor administração para a Caixa, andou a prometer, quero crer que informalmente, o que nunca poderia garantir: um estatuto de gestor privado a pessoas que iriam gerir um banco 100% público e que assim deverá permanecer.

Mas o Presidente Marcelo, envolvendo-se demasiado numa questão de pura chicana político-partidária, também acabou por não ficar bem na fotografia, criticado tanto no seu próprio partido pelo apoio ao governo como por gente do PS pelo puxão de orelhas despropositado dirigido a Centeno.

No Parlamento, há quem queira prosseguir o desenrolar da novela: depois dos documentos escritos alegadamente comprometedores, inexistentes, e dos emails, inconclusivos, querem agora esmiuçar o teor dos SMS trocados entre Centeno e Domingues. Não haverá igualmente pegadas, sinais de fumo, impressões digitais, ou outros indícios comprometedores ainda por investigar? E discussões mais úteis para o país, não haverá também?

O que me parece cada vez mais é que tudo isto está a servir de cortina de fumo para as verdadeiras irregularidades da Caixa: a lista dos grandes devedores mantida secreta, as reais necessidades de capitalização, a estratégia para estabilizar o banco e o transformar de novo no dinamizador da economia portuguesa para que sempre esteve vocacionado.

Agora que já se percebeu que não será pela troca de missivas comprometedoras que cairá Mário Centeno, que tal recomeçar a falar de coisas sérias?

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