Menos doenças, mais máquinas de roupa

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Em Coimbra, há um projecto que procura replicar os jardins de infância florestais, comuns na Dinamarca e noutros países nórdicos.

No Choupal, são os miúdos que decidem que caminhos trilhar, que actividades a desenvolver e por onde andar. Isabel Duque, tal como a colega Luana Pinho, passou um período na Dinamarca, onde esta prática é mais comum, a especializar-se em educação outdoor e explica que da entrada da mata até ao espaço onde passam parte do dia o trajecto é opcional.

[…]

O programa é sinónimo de uma autorregulação das crianças, seja em termos de espaço ou de tempo. “As crianças em geral hoje têm muito pouca qualidade de vida, uma estrutura muito rígida e muito dirigida pelo adulto” lamenta a docente, e o tempo passado na natureza ajuda contornar essas limitações. “O tempo é um factor essencial nesta abordagem” descreve Isabel Duque, que fala na natureza como sendo igualmente um “cenário activo” que participa com as crianças.

É a partir da natureza que os grupos assimilam as informações e têm possibilidade de desenvolver os temas que vão explorando. Este grupo, descreve a educadora, já se interessou muito por buracos. “No primeiro dia encontraram logo túneis de toupeiras. E por isso é que este se chama o «grupo das toupeiras»”. Foram as crianças que identificaram a espécie e “tomaram o seu nome para si”. É a partir destas descobertas que vão aprendendo.

A experiência, de que tanto os miúdos como os pais estão a gostar, permite desconstruir ideias feitas, como a de que crianças pequenas não se sabem organizar, ou se magoam ou perdem facilmente em espaços abertos. Até agora isso não sucedeu, apesar de a mata não ter vedações. E o próprio cenário natural interage com as crianças, estimulando a curiosidade e a criatividade. Mas é claro que a presença dos adultos continua a ser fundamental: as actividades ao ar livre exigem um menor rácio de crianças por adulto do que quando se tem os miúdos confinados a uma sala, e este é um dos obstáculos que se coloca à generalização deste tipo de programas no ensino pré-escolar.

Outro entrave é o receio dos pais de que as condições climatéricas adversas aumentem a incidência de doenças nas crianças. Mas desde que elas levem os impermeáveis e as botas de borracha quando chove, a descoberta dos caminhos da natureza decorre de forma segura e confortável. E mais, tem-se verificado que aumentam as suas resistências às doenças comuns, nomeadamente às doenças respiratórias que são cada vez mais comuns nas crianças sedentarizadas e confinadas a espaços fechados.

Adoecem menos, como se adiantou logo no título deste post, embora no final das explorações na mata haja mais roupa suja para lavar. Antes assim, dirá a maioria dos pais.

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