Emprego protegido

banco-portugal.JPGO Banco de Portugal manteve, desde a criação do euro e da perda de competências para o Banco Central Europeu, praticamente inalterado o número de funcionários, tendo sido um dos poucos casos dentro da zona euro em que isso sucedeu. Os responsáveis da autoridade monetária portuguesa dizem que a redução de pessoal ocorreu nos 15 anos anteriores à criação do euro e assinalam que o período mais recente foi de “reforço de competências” em diversas áreas.

Em relação às novas competências, os responsáveis do banco dizem que, nos últimos anos, a instituição tem “assumido um conjunto de novas funções, desde logo como autoridade macroprudencial e autoridade de resolução, mas também tem reforçado competências na área supervisão comportamental, na estatística, na acção sancionatória, na prevenção do branqueamento de capitais e na promoção da literacia financeira”. O papel desempenhado na aplicação do programa da troika também é referenciado como justificação para o reforço do número de efectivos.

Alguém que explique a estes senhores que também na Educação as escolas e os professores portugueses assumiram um número crescente de tarefas e responsabilidades, e nem por isso deixámos de ser vítimas dos cortes de pessoal docente e não docente e, em muitos casos, do excesso de trabalho.

Ao contrário dos bancos, que usam e abusam dos computadores e dos sistemas informáticos para substituir o trabalho humano, nós não podemos colocar um computador ou um robô na sala de aula a fazer o nosso serviço.

E apesar disso, neste período de 1999 a 2016 a que o estudo agora divulgado se refere, os resultados escolares dos alunos portugueses melhoraram substancialmente, como é constatado pelos testes PISA.

Já da supervisão bancária, da prevenção do branqueamento de capitais e de outras tarefas que foram confiadas ao Banco de Portugal, ou que os seus responsáveis se auto-atribuíram para justificar os “reforços de competências”, o mínimo que se pode dizer é que os resultados têm deixado muito a desejar.

As mega-fraudes do BPN, do BCP, do BES, as gigantescas operações envolvendo corrupção e lavagem de dinheiro em paraísos fiscais, tudo feito nas barbas do Banco de Portugal, aí estão para nos elucidar sobre a competência do nosso supervisor bancário e da sua gestão “macroprudencial”.

Talvez já dê para perceber que é o investimento público na Educação o que mais e melhores resultados nos pode trazer a longo prazo. E que aos todo-poderosos reguladores se têm de exigir mais responsabilidades e, pois está visto que no mundo da alta finança é a única estratégia que funciona, que as remunerações e contratações sejam condicionadas pelos resultados obtidos.

Anúncios

Comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s