Publicidade comercial nas escolas

publicidade-infantil.gifAs crianças e jovens são um alvo publicitário apetecível, que nem sempre se consegue alcançar da forma pretendida através dos media tradicionais.

Por outro lado, as escolas portuguesas debatem-se com a falta de recursos para atender a solicitações cada vez mais vastas, tanto da parte da administração educativa, que vai produzindo em catadupa referenciais para a educação disto e daquilo, como dos próprios pais, professores e alunos.

Percebe-se assim que nos últimos anos as escolas se tenham tornado mais receptivas a propostas de empresas que, a pretexto da oferta de materiais educativos ou experiências e actividades pedagógicas a proporcionar aos alunos, realizam verdadeiras acções de marketing no interior das escolas.

Ora tudo isto foi tema de uma investigação de doutoramento e está, diz-nos a notícia do Público, no cerne das preocupações de diversas entidades públicas e associativas:

As escolas precisam de um guião para saber que propostas podem ou não aceitar das empresas que lhes batem à porta? A professora da Universidade Europeia, Isabel Farinha, entende que sim e nesta quinta-feira propôs a ideia a representantes do Ministério da Educação (ME), da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), da Associação de Defesa do Consumidor (Deco) e da Direcção-Geral do Consumidor, entre outros, num debate que teve no centro a adopção de um código de boas práticas.

Em resposta ao PÚBLICO, o ME disse entender este contributo como “positivo”, embora ressalvando que por parte do ministério “toda a actuação é enquadrada no estrito cumprimento do quadro legal vigente [Código da Publicidade]”, o que passa também pela “validação prévia de conteúdos ou materiais a utilizar em contexto escolar”.

Falando na conferência realizada nesta quinta-feira, o subdirector geral de Educação, Pedro Cunha, frisou que este processo permite “abrir mais portas às empresas”, já que as escolas sabem por esta via que os conteúdos propostos foram validados pelo ME previamente. “Temos de ser extremamente cuidadosos em relação a tudo o que se passa no interior das escolas”, disse.

Não fazia ideia de que tínhamos tanta gente ocupada com tão momentosa questão. Já a abordagem escolhida para o problema, essa não foge aos hábitos burocráticos bem portugueses das reuniões e grupos de trabalho, leis e regulamentos, guiões, validações e auto-regulações. Apenas pergunto: essa gente não terá nada mais útil para fazer?

Para mim, a questão é simples: as escolas devem ser dotadas dos meios adequados, humanos, materiais e financeiros, para desenvolver as actividades que constam nas diversas dimensões dos planos curriculares em vigor, sem terem da andar a estender a mão à caridade interesseira. O marketing e a publicidade de empresas, produtos e serviços privados devem, pura e simplesmente, permanecer fora da escola.

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2 thoughts on “Publicidade comercial nas escolas

  1. A publicidade e o marketing fazem parte da vida e os alunos lidam com eles fora da escola. Qual é o problema de abrir a escola à sociedade, desde que isso seja feito com regras bem definidas?

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    • O capitalismo faz parte da História da humanidade e trouxe-nos muitas coisas boas, a começar por uma dinâmica de progresso material que está longe de concluída.

      Mas também me parece evidente que o capitalismo precisa de ser regulado e, cada vez mais, que é necessário criar, em nome do bem-estar e do progresso futuro, zonas livres de capitalismo. Entre elas devem estar, na minha maneira de ver, admito que discutível, as escolas públicas.

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