“Abandono precoce” da escola aos 18 anos

abandono-escolar.jpgFoi ontem divulgado um daqueles números que passam por ser indicadores seguros e significativos da qualidade e do sucesso do nosso sistema educativo: a taxa de abandono escolar precoce.

Segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a percentagem de jovens entre os 18 e os 24 anos que, em 2016, não tinham concluído o ensino secundário e não estavam em qualquer acção de formação era de 14% contra os 13,7% registados em 2015, que foi o valor mais baixo já atingido por Portugal.

Houve as habituais reacções e o inevitável passa-culpas entre quem foi e quem é governo, perante a evolução desfavorável deste indicador estatístico. Já lá iremos, pois primeiro gostaria de destacar a informação mais relevante de todas, e que na notícia do Público, significativamente, foi deixada para o fim:

A taxa de abandono escolar precoce é apurada pelo INE por amostragem, no âmbito do Inquérito ao Emprego, através de entrevistas telefónicas a jovens entre os 18 e os 24 anos.

A primeira questão que se deve colocar é então qual a relevância, em termos estatísticos, de uma variação de três décimas numa taxa que é obtida, não a partir das bases de dados oficiais, mas de um inquérito telefónico. Uma diferença tão reduzida cai dentro das margens de erro que têm de ser consideradas neste tipo de inquéritos e não é estatisticamente relevante, pelo que toda a discussão que se segue a partir daqui tem pouco ou nenhum sentido.

Ressalve-se ainda que, neste “abandono” estamos a considerar adultos com 18 anos ou mais que se acharam demasiado velhos para continuar na escola secundária e resolveram ir trabalhar, emigraram, andam à procura de emprego, a fazer biscates, ou outra coisa qualquer. O nosso abandono escolar já não é hoje, como era ainda há uma ou duas décadas atrás, engrossado por menores que iam trabalhar para fabriquetas de calçado ou de vestuário, antes de cumprirem a escolaridade obrigatória.

Ainda assim, a subida de 13,7 para 14% serviu ao PSD para culpar o governo PS, pela voz de Luís Montenegro:

“É este o resultado das políticas deste governo, com o desinvestimento que fez no ensino profissional e com as alterações que fez nas reformas educativas. Perdemos qualidade no ensino e o vosso investimento na escola pública afinal tem este resultado: aumentou o abandono escolar precoce”, acrescenta o deputado.

O governo defende-se dizendo que, pelo contrário, a culpa é do governo anterior, que permitiu o aumento das retenções, acabando o insucesso por potenciar o insignificante aumento do abandono escolar que agora se regista.

Não serão ambos um bocadinho ridículos?

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