Trump e a manipulação da realidade

trump-cavernicola.jpgManuel Loff desmontou muito bem, na crónica de fim de semana do Público, o mundo ao contrário que é construído pela narrativa simplista e manipuladora do novo Presidente dos EUA.

Trump proclama aos quatro ventos que o mundo inteiro se aproveita da América – mas a “vítima” tem desde a Guerra do Golfo de 1991 a maior presença militar planetária da sua história.

Ao seu lado, Steve Bannon, o novo homem forte da política de segurança americana e o mais temido dos ideólogos da ultradireita que chegou ao poder, dizia há menos de um ano que “dentro de cinco-dez anos entraremos em guerra no Mar do Sul da China. Não tenham dúvidas”. Que os chineses “cheguem aqui e, na nossa cara, (…) nos digam que aquele é um antigo mar territorial deles” (Breitbart News, 10.3.2016) parece-lhe intolerável – mas a verdade é que são os americanos que têm há décadas bases militares à volta de toda a costa chinesa (Japão, Coreia do Sul, Austrália, Filipinas, autorização para usar instalações militares tailandesas, malaias, indonésias…) e que, pelo contrário, os chineses não têm base alguma fora do seu território (e muito menos no Canadá, ou no México ou em qualquer ilha do Pacífico, por exemplo).

Da mesma forma, lembremo-nos que, só nos últimos cinco anos, os americanos bombardearam a Síria, a Líbia, o Iraque ou o Iémen, e desde há 17 anos que estão em guerra no Afeganistão – mas, para Trump, são os árabes e os muçulmanos de todo o planeta que querem entrar nos EUA para atentar contra a segurança dos americanos.

No mundo às avessas de Donald Trump, também as relações de força são invertidas: os negros e os imigrantes hispânicos deixam de ser vítimas da exploração laboral, do racismo e da xenofobia, transformando-se em parasitas sociais e colocadores de bombas. Enquanto os ricos como Trump, que fogem ao fisco e legislam em benefício próprio, nos são apresentados como vítimas dos pobres, das feministas, dos gays e de outras minorias sociais que querem viver dos recursos públicos e impor as suas “doutrinas totalitárias” a toda a sociedade.

Que tudo isto seja mentira, parece ser o menor dos problemas. Como fazem todos os mentirosos e demagogos quando a teoria não encaixa com a realidade, Trump e os seus mentores tratam de inventar factos alternativos. Uma longa tradição, aliás, da direita norte-americana.

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