O trumpismo e a Europa a falar baixinho

Jan.27.17.May_Trump.jpgMariana Mortágua tem razão. Trump não chegou sozinho à presidência dos EUA. Teve aliados poderosos, e não estou a pensar nos deserdados da Rust Belt ou do Midwest que nele votaram, mas sim no poder empresarial e financeiro que pode não se identificar com o estilo de Trump, mas sabe reconhecer nele um bom parceiro de negócios quando se trata de ganhar dinheiro e conquistar influência e poder.

Acontece que os aliados de Trump não estão apenas nos States. Há na Europa actual demasiadas semelhanças e cumplicidades com o programa político do novo presidente dos EUA:

Donald Trump tem aliados na Europa para este programa de extrema-direita. Quer reunir com Theresa May para ressuscitar o encontro entre Reagan e Thatcher que, nos anos 80, determinou o início da hegemonia da Direita na política mundial. Mantém contacto próximo com Marine Le Pen. Está a inspirar Viktor Orbán, o protofascista húngaro no poder.

A Europa está a ser dominada por uma vaga conservadora, xenófoba e com laivos fascistas. Mas que Europa é esta que não dá luta, e que parece embarcar sem grande resistência nesta vaga cheia de passado?

Não é esta também a Europa da Goldman Sachs? Não é esta a Europa que paga 6000 milhões à ditadura turca para manter centenas de milhares de refugiados em autênticos campos de concentração? E quantas mortes esconde o seu muro do Mediterrâneo? E a quantos foi negada passagem segura para fugir da guerra, não por serem apenas muçulmanos, ou sírios, mas por serem imigrantes, sem poder e sem escolha?

Se a Europa fala baixinho e de forma dissonante a respeito da desumanidade, da xenofobia, da hipocrisia e da violência que as políticas de Trump representam não é só por causa das reais divergências entre os seus dirigentes ou da tradicional fraqueza da UE em política internacional. É porque carece, em parte, de autoridade moral para criticar e condenar.
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2 thoughts on “O trumpismo e a Europa a falar baixinho

  1. Quem anda a financiar “rebeldes moderados” e a semear” primaveras” que fique com os refugiados.
    Mas será que entre democratas histericos, comunicacao social ululante ou pop stars que ainda nao se mudaram para o Canada, ninguem e capaz de enunciar esta verdade tao simples?!

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  2. A ideia de semear a democracia atirando bombas e a de dividir o mundo árabe para daí tentar tirar proventos vêm a ser seguidas há décadas, com os maus resultados que são hoje mais do que evidentes.

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