Demasiado mau

AEP-escola-basica-2-3-marques-pombal.jpgNão se conhece a versão do professor envolvido nos incidentes, e tanto a Direcção do Agrupamento de Escolas de Pombal como a Polícia, chamada a tomar conta da ocorrência, foram parcos em declarações. Sobra assim o relato dos pais do aluno, tal como foi difundido pela Lusa e está a ser divulgado pela comunicação social.

Segundo relatou a mãe, Paula Marques, o docente foi substituir um colega e quando chegou à sala disse aos alunos que não tinha nada para eles fazerem: “Imagino que deveria estar uma grande algazarra”.

A mãe acrescentou que um dos alunos perguntou se podia ir para o quadro “fazer rabiscos” e convidou o seu filho para o acompanhar: “O professor foi direto ao meu filho e disse-lhe que ia limpar aquilo com a cabeça e pegou-lhe na cabeça e esfregou-a no quadro. Depois empurrou-o e ele caiu”.

O menino foi sentar-se, “pedindo desculpa ao professor”, que, de acordo com Paula Marques, começou a “empurrar a mesa contra a barriga” da criança e “a dar murros em cima da mesa”.

O docente terá voltado ao seu lugar, mas pouco depois terá regressado à criança e, exaltado, voltou a ter o mesmo comportamento. “Assustado, ele acabou por fazer chichi nas calças. Isto terminou quando uma funcionária ouviu o barulho e chamou a direção. Foi aí que nos telefonaram”.

O pai foi à escola buscar a criança e pediu para falar com o diretor de turma para perceber o que se tinha passado. Uma vez que este professor não sabia do sucedido, o pai sugeriu que falassem com o docente em causa.

“Ele apareceu muito exaltado e a dirigir-se ao meu marido como se quisesse agredi-lo. O meu marido chamou a polícia.”

Se as coisas se passaram realmente desta forma, o que a polícia não confirma, preferindo falar em “desentendimentos”, as atitudes do professor em causa parecem-me injustificáveis.

Consegue perceber-se a contrariedade de uma substituição inesperada, um serviço docente que já não deveria ser atribuído quando não há qualquer actividade programada e que serve sobretudo para que professores e alunos se aborreçam mutuamente.

Também sabemos que há turmas levadas da breca, mesmo de miúdos de dez anos, que quando entram naquela espiral do barulho e da confusão exasperam qualquer um. Mas nada disto desculpa a alegada agressão ou a intimidação física a um aluno, da forma que é aqui relatada.

Sou dos primeiros a reconhecer a falta de educação e a carência de regras básicas de convivência com que muitos miúdos chegam às escolas, vítimas de famílias que já desistiram de os educar, preferindo a receita menos trabalhosa de lhes fazer as vontades e os entreter com telemóveis e televisão no quarto. Há miúdos impulsivos, egocêntricos, mimados, incapazes de gerir as frustrações e de aceitar, sem contestação, regras básicas de disciplina e comportamento.

Sei disto tudo, mas também me parece que nestas situações precisamos de ser, como professores, exemplos e referências para os nossos alunos. Não podemos ter, numa escala ainda maior, perante eles e contra eles, os mesmos comportamentos violentos e disruptivos que lhes condenamos.

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