Babysitters electrónicos

tablets.jpgEntre adolescentes e pré-adolescentes, todos sabemos da omnipresença dos telemóveis e de outros dispositivos electrónicos que se tornaram o principal meio de acesso às redes sociais, aos jogos online e a outros conteúdos mais ou menos recreativos, informativos e interactivos. Mas, e o que dizer da relação com os aparelhos providos de ecrã durante a infância, aquele período entre os 3 e os 8 anos, em que já não são bebés, mas a adolescência ainda vem longe?

99% das casas dos portugueses dispõem de televisor, 92% de telemóvel, 70% de computador portátil e 68% de tablet. “Estes equipamentos estão nos espaços comuns da casa, ao alcance das crianças e, em alguns casos, até lhes pertencem. As crianças apropriam-se dos dispositivos comuns e conseguem manuseá-los com facilidade”, especifica a ERC. Em dois terços dos domicílios com tablet, as crianças usam o equipamento sem a vigilância dos pais e dos irmãos mais velhos e, em 63% dos casos, o tablet pertence-lhes.

Os dados são de um estudo da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, que concluiu também que 94% das crianças vêem televisão diariamente em casa, em média mais de uma hora por dia e mais ainda ao fim de semana. Os pais admitem que muitas vezes a TV, tal como o telemóvel ou o tablet, funcionam como “babysitter”, entretendo os filhos enquanto eles estão ocupados com outras tarefas.

Menos razoável é estes aparelhos serem levados para a mesa durante as refeições, sendo usados para distrair a criança enquanto lhe metem comida na boca ou para estar entretida sem incomodar os pais. Que, não raro, se entretêm também, eles próprios, cada um com o respectivo telemóvel. É aliás uma cena que recorrentemente se observa nos restaurantes, uma família a almoçar ou a jantar e em vez de conversarem e conviverem está cada um de olhos fixos e dedos deslizantes no respectivo ecrã.

Quem não tem filhos pequenos fica ainda a saber que o telemóvel também dá jeito quando a criança está a ser vestida e quando é preciso adormecê-la ou acordá-la. O babysitter electrónico, é claro, pode ser cedido como recompensa do bom comportamento ou dos bons resultados escolares. Embora para algumas o prémio seja permanente: 18% das crianças dos três aos oito anos têm já o seu próprio telemóvel.

Em jeito de consolação acrescente-se que as famílias parecem revelar algum cuidado em relação aos conteúdos a que os filhos acedem. Os pais mais escolarizados tendem a evitar as telenovelas e os reality shows da TV generalista que os de menor instrução vêem com os filhos, preferindo a bonecada do Canal Panda e similares. Mas todos querem evitar que os filhos sejam expostos à violência, à linguagem obscena e a conteúdos de natureza sexual. Nos telemóveis e tablets o acesso à internet tende a ser direccionado para jogos e vídeos adequados à idade dos miúdos. Para mais tarde ficará a descoberta do admirável mundo das redes sociais…

 

Anúncios

Comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s