Pemba Laka e a sociedade do desconhecimento

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Dionísio Rocha

A súbita popularidade deste post levou-me a tentar perceber as suas causas. Trata-se de Pemba Laka, uma canção angolana de Dionísio Rocha que se tornou popular no Carnaval de Barranquilla, na Colômbia, e conhecida mundialmente com a fabulosa interpretação a muitas vozes pelo projecto Playing For Change. Foi esta última versão que publiquei por aqui, na série de posts que tenho designado como Músicas do Mundo.

Ora o que é que os meus improváveis visitantes, da Colômbia e doutras partes do mundo, vêm cá procurar acerca de uma música que podem ver e ouvir directamente no Youtube e noutros sites semelhantes? Aparentemente, andam à procura da letra da canção, algo que, com a internet, se tornou uma coisa geralmente simples de pesquisar e de obter. Contudo, neste caso, não está a ser fácil.

Pemba Laka é uma canção cantada em kimbundu, uma língua popular em Angola que não consta do cardápio dos tradutores automáticos disponíveis online. E os falantes de kimbundu também não parecem ter muito o hábito de frequentar a internet, pelo que, embora já várias pessoas tenham publicado a letra original, os interessados continuam sem saber o que as palavras querem dizer.

Ora isto leva-me a reflectir sobre a chamada sociedade do conhecimento que, graças aos computadores e agora até aos telemóveis inteligentes, dizem que temos na palma da mão. Na verdade, a abundância de ferramentas para obter e trabalhar informação que a nuvem digital nos proporciona não significa, por si só, verdadeiro conhecimento. E nunca deixou de existir uma enorme assimetria entre os muitos que procuram alguma coisa e os poucos que partilham aquilo que sabem.

A facilidade de escrever e publicar nunca foi tão grande, mas o que a maior parte do que se publica acabam por ser banalidades e irrelevâncias, quando não informação falsa, tendenciosa ou preconceituosa. Pois quem não sabe, inventa.

E a realidade é esta: prisioneiros da net como fonte única de informação, permanecemos ignorantes acerca do muito que provavelmente nunca lá estará. Pois a internet não produz conhecimento. Lá só se encontra aquilo que, pelas mais diversas motivações, as pessoas resolveram partilhar.

Talvez no dia em que houver online suficientes falantes de kimbundu, algum se dê ao trabalho de traduzir a letra da canção que muitos querem perceber. Embora se sujeite a que, no final, mais facilmente ouça uma crítica a um verso mal traduzido do que um agradecimento pelo trabalho feito.

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6 thoughts on “Pemba Laka e a sociedade do desconhecimento


  1. Eie né?
    Eme Pemba
    Ó Pemba?
    Pemba Laka
    Ó Laka?
    Laka xinge kuaia mbonzo
    Ó mbonzo?
    Mbonzo maku bê, maku bê muxi
    Ó muxi?
    Muxi ngato
    Ó ngato?
    Ngat’kimenemene, kimenemene kió Suku
    Ó Suku?
    Suku nja mu ntele ndende mu kaza longa
    Ó longa?
    Long’o mbiri, mbiri teia
    Ó teia?
    Teia Kamba diá mama, kamba diá mata
    Ó mata?
    Mata ku kilamba nzo a sokana kolombolo
    Ó kolombolo?
    Kolo kidi
    Ó kidi?
    Kidi zua
    Ó zua?
    Zua pungu
    Ó pungu?
    Pungu bete
    Ó bete?
    Bete kiama
    Ó kiama?
    Kiama longu êee disu diá mu tele mbua
    Eh!kima kie tu kio o suku’e
    kima kie tu kio o suku’e
    kima kie tu kio o suku’e
    kima kie tu kio o suku’e
    kima kie tu kio o suku’e
    kima kie tu kio o suku’e
    kima kie tu…
    prrrrrrrrr!

    https://escolapt.wordpress.com/2016/01/16/musicas-do-mundo-playing-for-change-pemba-laka/comment-page-1/#comment-1551
    .

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