Peso a mais nas mochilas

raio-x.jpgÉ uma questão recorrente, o excesso de peso nas mochilas dos alunos portugueses: aulas de muitas disciplinas no mesmo dia, cada uma com o seu manual, quando não o caderno de actividades, e ainda os cadernos diários.

Agora, uma petição que já vai em quase seis mil assinaturas pede que ao Parlamento legislação sobre a matéria, contemplando os seguintes aspectos:

1 – Uma legislação, com carácter definitivo, que veicule que o peso das mochilas escolares não deve ultrapassar os 10% do peso corporal das crianças, tal como sugerido por associações europeias e americanas.

2 – A obrigatoriedade de as escolas pesarem as mochilas das crianças semanalmente, de forma a avaliarem se os pais estão conscientes desta problemática e se fazem a sua parte no sentido de minimizar o peso que os filhos carregam.
Para tal, cada sala de aula deverá contemplar uma balança digital, algo que já é comum em muitas escolas, devendo ser vistoriada anualmente.

3 – Que as escolas públicas e privadas de todo o país disponibilizem cacifos para que todos os alunos consigam deixar alguns livros e cadernos, de modo que possam deslocar-se entre as suas casas e a escola com menos peso.

4 – Podendo existir a opção de os alunos utilizarem o suporte digital, segundo o critério de cada escola, exigir às editoras responsáveis pela produção de manuais escolares o seguinte:

4.1 – Que criem livros/manuais escolares com papel mais fino, de gramagem menor, ou divididos em fascículos retiráveis segundo os três períodos do ano;

4.2 – Que os conteúdos dos livros/manuais escolares sejam o mais concisos e sintéticos possível, de modo a diminuir o volume e o peso dos mesmos.

Parecem-me algo fundamentalistas os pontos 1 e 2 da petição, sobretudo se confrontados com o parecer recente de um médico especialista que escreveu recentemente no Público sobre as mochilas e as colunas tortas. Aparentemente, não há ligação entre a ocorrência das vulgares doenças da coluna, como escolioses e cifoses, e o uso de mochilas pesadas. O que estas podem é provocar desconforto, cansaço e eventualmente dores, para além de aumentarem o risco de quedas, pela alteração do centro de gravidade do corpo. Motivos suficientes para tornar consensual a necessidade de reduzir o peso das mochilas, mas talvez não para introduzir a pesagem diária das mesmas na rotina escolar.

Quanto ao terceiro ponto, a generalidade das escolas dispõe de cacifos para os alunos, que se os não usam mais é porque não querem ou não lhes dá jeito.

Já o último ponto toca um aspecto relevante, e que sempre me fez confusão: porque é que um daqueles livros grossos, com passatempos e palavras cruzadas, que se levam para a praia, é leve como uma pena, e os manuais dos nossos alunos pesam que nem chumbo? Há mesmo necessidade daquele papel pesado e lustroso e de capas densas e grossas em livros que são para ser transportados por miúdos durante todo o ano?

O texto da petição deixa ainda alguns conselhos práticos às escolas – distribuir melhor as aulas pelos dias da semana, evitando que haja dias em que os alunos vão com a mochila carregada e noutros quase vazia – e aos pais – verificar se os filhos não andam a transportar objectos desnecessários. Já as mochilas de rodinhas, que podem ser uma boa solução nas escolas com um só piso, mostram-se contraproducentes quando os miúdos têm de subir escadas com a mochila na mão.

No estudo da DECO realizado em 2003 e que é abundantemente citado há ainda uma constatação curiosa: a tendência para sobrecarregar as mochilas dos alunos era maior nas escolas privadas do que no ensino público.

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