Os inimigos das vacinas

A generalidade dos pais portugueses vacina os seus filhos, cumprindo o plano nacional de vacinação, e este foi um dos factores decisivos para a descida da mortalidade infantil em Portugal ao longo das últimas décadas, sendo hoje, a este nível, um dos países mais bem sucedidos do mundo.

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Além da varíola, que foi erradicada à escala planetária graças à vacinação universal, actualmente já não se registam, em Portugal, casos de sarampo, poliomielite, rubéola, difteria e tétano neonatal. Mas estas doenças não estão extintas, apenas não se manifestam em Portugal porque a generalidade da população se encontra vacinada.

Um avanço civilizacional de que deveríamos estar orgulhosos? Aparentemente sim, mas a verdade é que nem a estupidez nem o egoísmo pagam imposto, pelo que há sempre, como constatou a reportagem do DN, um ou outro que se acha mais esperto do que toda a gente e decide não vacinar os filhos:

“Por que razão hei de empestar o corpo das minhas filhas?” Paulo, 50 anos, não vacinou nenhuma das duas filhas, agora com 13 e 8 anos. Se tivesse um terceiro filho, seguiria o mesmo caminho. “Dar vacinas seria destruir o sistema imunitário delas”.

Maria (nome fictício), 47 anos, também escolheu não vacinar a filho, de 6 anos. “A vacinação está a ser feita de forma estandardizada, mas as necessidades, os ambientes e as pessoas são diferentes”. Adepta de “coisas mais naturais, sem muitos químicos”, leu diversos livros e estudos antes de seguir este caminho. Ao DN, destaca argumentos que leu repetidas vezes: “Alguns efeitos secundários eram unânimes: as alergias, o autismo, a toxicidade cancerosa.”

Esta insensatez tem na sua base uma filosofia de vida profundamente egoísta e hipócrita: como os filhos dos outros estão vacinados, não vão ficar doentes, e por isso os meus filhos, que são melhores do que todos, irão beneficiar da imunidade de grupo. Os outros que tomem os “venenos” para se protegerem, enquanto os meus, adeptos das “coisas naturais”, se livram da vacina e da doença.

Claro que isto, às vezes, corre mal: nos EUA, onde estas ideias tendem a pegar de estaca, andam a braços com sucessivas epidemias de sarampo, que já tinha desaparecido mas agora voltou a fustigar uma população indefesa. Ou aqui mais perto, em Espanha, onde recentemente morreu uma criança vítima de difteria, que apenas contraiu a doença porque os seus pais não a quiseram, em devido tempo, vacinar.

Acrescente-se, para concluir, que os supostos malefícios das vacinas nunca foram demonstrados e que o sistema imunitário de cada um de nós está, pela sua própria natureza, em constante mutação, pelo contacto com uma variedade de microorganismos que vão penetrando no nosso corpo e aos quais se vai adaptando para nos proteger eficazmente.

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