Ainda o direito a desligar

mail-send-animation.gifA proliferação dos mails profissionais, sobretudo daqueles que nos solicitam algo para fazer e têm a irritante tendência de chegar fora de horas, é um problema comum a todos os que têm as novas tecnologias de informação presentes no seu trabalho quotidiano. Já por aqui se falou disso, a propósito do direito a desligar, recentemente reconhecido em França, e de algumas das implicações do uso profissional do correio electrónico.

De facto, é justo reconhecer que o mail permite fazer chegar, de forma instantânea e a múltiplos destinatários, informação que noutros tempos implicaria a realização de longas e fastidiosas reuniões de trabalho ou a impressão desnecessária de muitos documentos.

Também é verdade que o envio de mails a horas tardias apenas configura um abuso se quem os remete estiver à espera de ver o seu pedido imediatamente atendido, desrespeitando o direito ao descanso do destinatário.

No entanto, a facilidade e a gratuitidade do correio electrónico faz com que demasiadas vezes se envie e repasse informação inútil e redundante, se inventem tarefas desnecessárias ou se ocupe o tempo das pessoas com coisas sem qualquer utilidade ou interesse, provocando stress e dificultando a boa gestão do tempo de trabalho. Pior ainda, prejudicando o direito ao descanso e à vida pessoal e familiar a que todos os trabalhadores têm direito.

Mas a fórmula que permitirá combater a ansiedade de todos os que vivem perturbados pela catadupa de mensagens que diariamente lhes vão invadindo o mail já existe desde 2007, embora nem todos sejam capazes de a aplicar correctamente:

“Inbox zero”, como Mann chamou ao seu sistema, assenta numa ideia simples: todos nós lidamos mal com o email. Passamos a vida a consultar cada mensagem que entra, e a ideia de que teremos de responder acaba por nos deixar um bocadinho stressados. Mas não o fazemos de imediato, logo, os emails acumulam-se e, aí sim, entramos em stress. No dia da palestra, Mann tinha a seguinte proposta para a sua audiência: de cada vez que consultamos a caixa de correio, deveríamos logo reduzi-la a zero, limpá-la. Por passos: verificamos o que cada email exige de nós – uma resposta imediata; guardar o ficheiro para resposta posterior; atirá-lo para o caixote do lixo. Depois, agimos em conformidade. E repetimos até não termos mais nenhum email. Finda a tarefa, fechamos o Inbox e vamos à nossa vida.

Claro que isto nem sempre funciona com todas as pessoas e em todas as situações: se a necessidade de manter limpa a caixa de entrada nos leva a consultar constantemente o mail para não deixar acumular mensagens não lidas, então podemos ficar ainda mais ansiosos e dependentes do que estávamos. E o afã em responder a todas as solicitações pode originar trocas sucessivas de mensagens com diversos interlocutores, gerando novos mails e mais trabalho a arrumar os assuntos e a limpar a caixa de correio.

Com em quase tudo na vida, também aqui um pouco de bom-senso, tanto da parte de quem envia como de quem recebe mensagens, nos pode ajudar a gerir melhor o correio electrónico.

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