O lugar de Soares nos manuais de História

manual-hist.JPGA um aluno que tenha dificuldade em situar o papel de Mário Soares no contexto da recente história de Portugal poder-se-á recomendar a leitura de um manual escolar de História. Mas a verdade é que estes pouco ou nada dizem sobre a figura, limitam-se a nomeá-lo no papel que teve nos diferentes contextos sociais e políticos – da oposição à ditadura à descolonização e à integração de Portugal na Comunidade Económica Europeia (CEE), passando pelo facto de ter sido o primeiro primeiro-ministro eleito, em 1976.

Parece-me que a notícia do Público, que tenta determinar que lugar deve ocupar Mário Soares nos manuais de História, parte de um equívoco de base, que é o de conceber a História, tal como se ensina e aprende, como um desfile de “grandes homens”, sendo a grandeza de cada um medida pelo número de páginas, de parágrafos ou de linhas que lhe é dedicada.

Ora se é verdade que há inúmeras personagens históricas que é imprescindível referir, na narrativa histórica, é igualmente certo que está há muito ultrapassada a concepção da História como um somatório de acções individuais de um número restrito de indivíduos.

Por outro lado, Mário Soares já consta há muitos anos dos manuais de História, como político e estadista cuja importância foi plenamente reconhecida ao longo da sua vida. Ele aparece, há muitos anos, nos manuais, sendo geralmente destacado o papel do ex-líder do PS na consolidação da democracia, na formação dos primeiros governos constitucionais e na liderança do processo de adesão à então CEE.

Onde a peça do Público acaba por se tornar pertinente é, quando, quase no final, surge a percepção de que a principal ameaça ao estudo e à compreensão da História não são as figuras carismáticas que entram ou saem dos manuais – é o reduzido tempo que, nos currículos sobrecarregados que continuam em vigor, é destinado à disciplina.

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2 thoughts on “O lugar de Soares nos manuais de História

    • É a diferença incontornável entre os ditadores e os democratas.

      Salazar criou um país à imagem dele próprio, das suas convicções e dos seus preconceitos, concentrando o poder e fazendo de si próprio um homem providencial e, pior do que isso, insubstituível.

      Já em democracia a função de quem governa é precisamente abrir espaços de liberdade e tolerância onde todos, à sua maneira, se possam afirmar.

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