Como nasce a violência juvenil

Delinquencia+juvenil.jpgA aldeia inteira que é precisa para educar uma criança não existe. Não está lá. Não estão os pais, não está a escola, não está a comunidade, não está ninguém. E eles estão sozinhos. São vítimas? São. São vítimas do que não viveram, da ausência dos pais, da falta de amor ou de tempo dos pais, da falta dos ‘nãos’ quando se portam mal, da falta dos castigos, da falta de valores – não falo sequer da Igreja porque essa já deixou de existir para muitas famílias pela falta de exemplo que dá –, da falta de perspectivas de vida.

Bárbara Wong reflecte sobre os casos de violência juvenil que tiveram ampla mediatização, com natural ênfase no mais recente, o do bando de jovens que agrediu selvaticamente um outro rapaz em Novembro passado em Almada. E aponta uma extensa lista de responsáveis. Os pais, que não educam nem acompanham os filhos. O Estado, na falta de apoios às famílias e às instituições sociais, recreativas e culturais que poderiam ajudar a enquadrar estes jovens que vão descambando para a marginalidade. A internet e os videojogos, e até mesmo os media tradicionais, que vão banalizando a violência gratuita, ao ponto de esta chegar a ser considerada normal. E, claro, a escola não poderia faltar a esta lista, pois segundo BW ensina mas não educa os alunos e, numa formulação infeliz mas habitual no estilo da jornalista, “desiste” deles, mandando-os para os cursos profissionais.

Claro que o cerne da questão nem está na escola, um espaço apesar de tudo vigiado e organizado, onde se tenta dar sentido às horas que os alunos ali permanecem e construir para cada aluno um percurso escolar de sucesso. Os problemas surgem quando, após as aulas ou por vezes em sua substituição, os jovens partem, desacompanhados, numa descoberta precoce e transgressora do mundo:

E como é que eles se orientam? Em bando, uns atrás dos outros, de preferência atrás do maior, do mais estúpido, do mais violento, daquele que parece não ter medo. Porque eles estão todos cheios de medo, é natural, estão a crescer e isso é assustador.

Esta juventude desorientada e violenta, com falta de referências, objectivos e valores morais, é um problema de toda a sociedade. Antigamente dizia-se, parafraseando um velho provérbio africano, que era preciso uma aldeia para educar uma criança. Mas hoje, à volta das grandes cidades, já não há aldeias. O que temos são subúrbios degradados e inóspitos e bairros-dormitório onde uma população deprimida tenta apenas sobreviver.

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