Pau para toda a obra

limpeza.gifAfinal, com exceção dos já prometidos 300 contratos, os “bons milhares de horas” garantidos há dias pelo ministro da Educação às escolas não serão assegurados por assistentes operacionais mas por tarefeiros, pagos a 3,49 euros à hora e podendo aspirar a um máximo de cerca de 240 euros mensais, acrescidos de subsídio de alimentação.

Está profundamente errado este raciocínio governamental de que se resolve a falta de assistentes operacionais nas escolas contratando tarefeiros para assegurar umas horas de serviço de limpeza.

Isto, tal como o recurso, por parte do anterior governo, aos contratos de emprego-inserção para colocar desempregados a trabalhar nas escolas, é o resultado de um economicismo desconhecer da realidade das escolas, assente em dois pressupostos: que o pessoal auxiliar serve sobretudo para assegurar limpezas e outros serviços de manutenção, esquecendo o fundamental que é vigiar e acompanhar os alunos e apoiar a actividade pedagógica. E que é um trabalho que não exige qualificações, podendo ser executado por qualquer pessoa.

Ora o actual governo parece querer seguir as pisadas do anterior, ao oferecer horas avulsas para contratação de tarefeiros em vez de possibilitar às escolas aquilo de que elas necessitam: assistentes operacionais a tempo inteiro que cubram as necessidades das escolas e substituam os que entretanto adoeceram, foram transferidos ou se reformaram.

“É uma solução precária”, diz ao DN Filinto Lima, presidente da Associação de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas. “Do mal o menos, temos gente a trabalhar”, admite, não deixando de considerar que a medida parece colidir com “aquele discurso do [António] Costa”, criticando a precariedade laboral no Estado.

“É uma solução, mas obviamente uma solução muito precária”, concorda Manuel António Pereira, da Associação Nacional de Diretores Escolares. “O lugar de assistente operacional nas escolas não tem sido devidamente valorizado pelo Ministério da Educação, pelo próprio governo. A imagem que passa é que [o problema] pode ser resolvido com qualquer pessoa”, critica, lembrando o recurso aos contratos de emprego-inserção (CEI) pelo anterior governo, aos quais António Costa pôs termo.

 

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