Os demónios do anti-semitismo

mein-kampf.jpgA primeira reedição do Mein Kampf de Adolf Hitler na Alemanha desde a Segunda Guerra Mundial revelou-se um “best-seller” e vai ter uma sexta tiragem, informou hoje a sua editora.

O Instituto de História Contemporânea de Munique (IfZ) disse que cerca de 85.000 cópias da nova versão anotada do manifesto antissemita do líder nazi foram vendidas desde o lançamento em janeiro.

“Descobriu-se ser totalmente infundado o medo de que a publicação pudesse promover a ideologia de Hitler ou torná-la aceitável e desse aos neonazis uma nova plataforma de propaganda”, disse o diretor do IfZ, Andreas Wirsching, num comunicado.

“Ao contrário, o debate sobre a visão do mundo de Hitler e a sua abordagem à propaganda permitiu olhar as causas e consequências das ideologias totalitárias, numa altura em que as opiniões políticas autoritárias e os ‘slogans’ de direita estão a ganhar terreno”, adiantou.

Nunca achei que as recentes reedições comentadas do Mein Kampf fossem ressuscitar os velhos demónios do anti-semitismo e do nazismo.

Pelo contrário, compreender e discutir os assuntos que, bem ou mal, fazem parte da nossa História, é a melhor forma de prevenir e combater o preconceito, a demagogia e a ignorância de que se alimentam todos os totalitarismos. E sabemos que quem não aprende com os erros do passado, é bem provável que venha a repeti-los no futuro.

De resto, a Alemanha fez, desde a II Guerra Mundial, um percurso quase exemplar de desnazificação que não foi acompanhado por outros países onde a barbárie nazi encontrou terreno fértil. Não é por acaso que países como a Polónia, a Áustria ou a Hungria estão hoje entre os campeões europeus da xenofobia e do anti-semitismo. E, convém lembrá-lo porque a História dá muitas voltas, semitas não são apenas os descendentes directos dos antigos Hebreus, mas também os Árabes e a maioria dos povos muçulmanos do Médio Oriente.

Quanto ao anti-semitismo anti-judaico, penso que ele é hoje alimentado, sobretudo, pela opressão, o apartheid e o colonialismo do Estado de Israel sobre as populações e os territórios palestinianos. Não são as edições académicas de livros historicamente datados, mas as acções concretas dos sionistas, arvorados agora em novos opressores, que mantêm vivo, nos dias de hoje, o ódio irracional aos judeus.

 

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