Sociólogos e psicólogos também querem ser professores

classroom without student

Sociólogos e psicólogos querem que seja barrado o acesso à docência das áreas a professores sem competências específicas. A Associação Portuguesa de Sociologia tem a correr uma petição que já leva mais de 1700 assinaturas. Estão em causa largas centenas de postos de trabalho.

Sociólogos a serem preteridos por economistas no ensino de Sociologia e a Psicologia a ser leccionada por professores de Filosofia: são duas situações que decorrem do quadro legal das habilitações para a docência e dos grupos de recrutamento e que há muitos anos motivam as queixas de sociólogos e psicólogos.

E na verdade isto não é fácil de resolver a contento. Desde logo, porque são disciplinas opcionais que existem apenas no ensino secundário. O que significa que, na maior parte dos casos em que é necessário um professor, o número de horas lectivas é tão reduzido que não justifica uma contratação. Por outro lado, os cursos de Sociologia e Psicologia não têm sido considerados vocacionados para a formação de professores, não havendo sequer, tanto quanto sei, formação pedagógica inicial nestas áreas. Desta forma, as escolas vão atribuindo as turmas de Psicologia a um ou outro docente de Filosofia com mais formação, experiência ou apetência pela área, enquanto os de Economia se encarregam de leccionar a Sociologia.

Ainda assim, creio que as reivindicações de psicólogos e sociólogos são justas, pertinentes, e merecedoras de atenção. No quadro de uma revisão dos grupos de docência e das habilitações faria sentido, pelo menos nas escolas onde existem habitualmente turmas suficientes, permitir o acesso à docência daquelas disciplinas a quem tem as habilitações científicas mais adequadas.

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5 thoughts on “Sociólogos e psicólogos também querem ser professores

  1. Caro António Duarte,
    mas que reflexão tão simplista!… Sabe há quanto tempo dura este estado de coisas? Sabe que formação em Psicologia têm os licenciados em Filosofia, em geral? Sabe que a Psicologia é uma ciência cujos conhecimentos evoluem todos os anos? Sabe que, enquanto esta situação – no mínimo, estranha – se manteve nas escolas, em Paris, por exemplo, as livrarias (muitas delas) atribuíram espaços à Psicologia como tradicionalmente atribuem à Medicina? Será que, por conveniências corporativas, ou ‘lobbies’, se deve manter a ideia de que, por ser disciplina de opção, ou por serem “putos”, «para quem é bacalhau basta»? Diz «Ainda assim, creio que…», como que se salomonicamente tentasse estar de bem com deus e o diabo; pois, é o politicamente (ou interesseiramente) conveniente. Um abraço!

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    • Caro Fernando, este estado de coisas já existia há 30 anos, quando entrei para a profissão, e por isso mesmo, e por a Psicologia estar integrada no grupo disciplinar da Filosofia, sendo os psicólogos preteridos no acesso à docência da disciplina, não é problema de fácil resolução.

      Também não duvido do óbvio, de que os psicólogos estão cientificamente mais habilitados a leccionar a disciplina do que os licenciados em Filosofia. Embora não queira desprezar, também, o trabalho dos colegas desta área que há muitos anos ensinam a disciplina e o fazem com gosto e conhecimento, porque foram também eles estudando e aprendendo, pois realmente pouco se aprende, desta área, nos cursos de Filosofia. E cá estou eu a ser salomónico…

      Não ignoro que a Psicologia é uma ciência em grande desenvolvimento, que eventualmente mereceria ter uma presença maior no currículo do secundário. Ainda há dias, conversando com os meus filhos, ambos já no ensino superior, defendiam eles que em vez de dois anos de Filosofia, a formação geral deveria ter um ano de Filosofia e um de Psicologia.

      Independentemente disto, acho que a criação do grupo disciplinar de Psicologia seria a forma mais justa e viável de abrir espaço, na docência, aos profissionais habilitados desta área.

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      • Caro António, daria um livro as coisas “engraçadas” que tanto licenciado em Filosofia tem “ensinado” a tantos alunos das nossas escolas, no continente e nas ilhas, no que à Psicologia diz respeito…
        É claro que há também colegas competentes; muito em razão de serem responsáveis, honestos e humildes. Tenho muito prazer em conhecer alguns, e de trabalhar com eles. Bom Ano de 2017!

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