A educação em 2017

escolinhaNa tentativa de antever o que serão as prioridades governativas para a educação portuguesa, o DN identificou aquele que continuará a ser o mote estruturante e mobilizador da acção do ME e das escolas:

A palavra de ordem na Educação, depois do mote da “exigência” dos tempos de Nuno Crato, é: “Sucesso.” E criar condições para que cada vez mais alunos o alcancem é o principal desafio das escolas portuguesas, não só para o próximo ano mas também para toda a legislatura.

Para concretizar o recuperado direito ao sucesso, contar-se-á com o Plano Nacional de Promoção do Sucesso Escolar que se desdobra, em cada escola ou agrupamento, num conjunto de medidas definidas localmente para combater o insucesso escolar. Mas só com o final do ano lectivo se perceberá o alcance e a eficácia das tutorias, da diferenciação pedagógica, dos apoios educativos e das restantes medidas adoptadas.

Já outras decisões com impacto pedagógico como a redução do tamanho das turmas ou a vinculação de professores contratados e o alargamento dos quadros, essas estarão condicionadas por constrangimentos financeiros e só muito timidamente assistiremos, se assistirmos, a alguns passos no sentido da sua implementação.

Na definição de currículos essenciais, necessária face à extensão excessiva dos programas e à necessidade de flexibilizar o currículo e de dar mais autonomia às escolas e aos professores para o adequarem aos alunos que têm à sua frente, em contrapartida, os custos da medida não serão um problema. Mas também aqui se nota alguma indecisão ministerial, pelo que provavelmente não será ainda em 2017/18 que o assunto ficará arrumado.

Onde o jornalista do DN encontra amplo consenso entre a actual equipa governativa e alguns ex-governantes da área do PSD, como David Justino e Joaquim Azevedo, é no combate sem tréguas ao insucesso escolar. O elevado número de retenções deixa mal vistos o país e os seus governantes nas comparações internacionais, pelo que tanto PS como PSD se sentem responsáveis pela sua redução. Ora quando, na educação, os dois grandes partidos, unidos num objectivo comum, deixam de bater um no outro, sabemos bem, infelizmente, para que lado é que a pancada irá sobrar…

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3 thoughts on “A educação em 2017

  1. Acrescentaria, no meio de tantas outras questões, a existência dos mega-agrupamentos de escolas. Ainda está por fazer um estudo sobre esta variável, quer para o “sucesso” quer para a “exigência”.

    Os mega-agrupamentos vão em contra-mão total com as políticas de “diferenciação pedagógica”, em todos os sentidos.

    Por último, a pouca referência/”esquecimento” (?) dado ao envelhecimento da classe docente que terá o seu apogeu dentro de poucos anos, com professores com 60 e mais anos de idade e perto de 40 anos de ensino ininterrupto a trabalharem mais do que quando começaram a carreira.
    Nenhuma ideia para este problema, a não ser empurrar com a barriga para a frente (não se planeia, vive-se no dia a dia e na opção e obsessão pela dívida e de Bruxelas, com os professores a sobreviverem em esforço, tentando manter a sua dignidade profissional, esquecendo-se , eles próprios, da sua dignidade pessoal.

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  2. “Ora quando, na educação, os dois grandes partidos, unidos num objectivo comum, deixam de bater um no outro, sabemos bem, infelizmente, para que lado é que a pancada irá sobrar…”

    A Educação e as escolas sempre foram um campo em que o centrão nunca divergiu muito, ora é sucesso, ora é exigência, ora corta aqui, ora acrescenta acolá.

    Não entendem nada do que falam, não conhecem a realidade, o terreno sobre o qual dissertam e escrevem, numa entropia de lugares comuns deitados cá para fora em “pareceres” e “estudos”.

    O que sabem da escola é o que lhes preparam nas visitas a esta ou aquela escola, onde ficam visivelmente sem saber o que dizer para além de desbobinarem sobre a educação e as suas ideias, tão generalistas, que teriam negativa num trabalho de projecto de alunos sobre a escola. Ou numa qualquer tese do ensino superior credível.

    Nenhuma referência aos professores e outros profissionais das escolas- se a coisa corre bem, deve-se à política do ME; se corre menos bem, deve-se (ainda que nas entrelinhas) aos seus profissionais.

    Um verdadeiro sistema de vasos comunicantes, este centrão na Educação.

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