Reforçar ou eliminar a Linha Saúde 24

saude24.JPGA Linha Saúde 24 vai passar a ter, a partir de junho de 2017, mais serviços, como marcação de consultas, seguimento de grávidas e de pessoas que fizeram cirurgias em ambulatório. O bastonário dos médicos questionou ontem a utilidade deste serviço e defendeu mesmo que se deve preparar o seu encerramento. Mas o Governo não só não vai acabar com ele como vai transformá-lo no Centro de Contacto do SNS. A bastonária dos Enfermeiros afirma que a Linha tem ganhos em saúde e o sindicato defende que não deve encerrar. Para o presidente da Associação dos Médicos de família é preciso avaliar o serviço antes de qualquer decisão.

Discordo das críticas da Ordem dos Médicos e do seu bastonário a um serviço de aconselhamento médico que já atendeu, desde a sua criação em 2007, mais de dois milhões de doentes.

Claro que num mundo ideal todos teríamos o nosso médico e enfermeiro de família escolhidos por nós, só ficaríamos indispostos ou doentes durante o horário de expediente do centro de saúde, haveria sempre uma vaga disponível para sermos atendidos de imediato sempre que precisássemos e mesmo as urgências hospitalares estariam de portas abertas para um atendimento rápido e eficaz de todas as situações.

Mas a realidade é o que é: doenças agudas que muitas vezes escolhem o final do dia ou o fim-de-semana para se manifestar, centros de saúde sem telefonista onde os telefonemas raramente são atendidos, urgências entupidas com situações que não justificariam a ida a esses serviços. Faz assim todo o sentido a existência de uma linha de atendimento que possa esclarecer dúvidas, aconselhar tratamentos caseiros em situações de doença benigna e encaminhar casos que necessitem de observação e tratamento médico para o serviço de saúde adequado para os receber.

E quando o bastonário dos médicos defende o encerramento da linha porque alega que ela não está a reduzir o afluxo às urgências, é caso para desconfiar se a verdadeira preocupação não será o receio de que a eficácia do serviço esteja a retirar clientes, isso sim, à medicina privada. Pois sabemos bem, embora disso se fale sempre pouco, como a saúde privada tem crescido, em Portugal, à custa das insuficiências dos serviços públicos.

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