Por terras de Espanha – Baixa Extremadura

De mais uma breve incursão pós-natalícia por terras da Extremadura espanhola, dois ou três apontamentos de viagem e uma pequena selecção de imagens.

1. UM NATAL MAIS GENUÍNO. Apesar de a sociedade espanhola se ter secularizado bastante nas últimas décadas, os sentimentos e as vivências católicas parecem mais enraizadas do que em Portugal. E isso vê-se no Natal, uma festa aparentemente menos consumista e mais espiritual do que vamos tendo entre nós. Talvez o hábito de dar os presentes no Dia de Reis ajude a preservar os valores natalícios mais tradicionais em torno da Noite da Consoada e do Dia de Natal.

2. CIDADES E VILAS COM MAIS VIDA. Embora os fenómenos do envelhecimento e da desertificação do território sejam bem visíveis em Espanha, particularmente nas regiões do interior centro e sul  – Extremadura, Castela, Andaluzia – nota-se uma vitalidade nos pequenos centros urbanos que a maioria dos concelhos portugueses do interior, incluindo algumas cidades, há muito perderam. E isto é reflexo de poderes regionais e locais com mais recursos, uma regulamentação  que protege o pequeno comércio, restringindo o funcionamento dos hipermercados e centros comerciais, e da própria vida de rua que os Espanhóis de todas as idades e condições insistem em fazer, em vez de se enfiarem em casa ou no ambiente asséptico das catedrais do consumo de os Portugueses tanto gostam.

3. A SIESTA. Apesar dos planos do novo governo espanhol de acabar com a siesta, em nome da modernidade, da produtividade e até de hábitos de vida mais racionais e saudáveis, ela resiste. Aquele sossego, de ruas desertas e lojas fechadas, que se sente a partir das duas da tarde em qualquer povoação de Espanha, é provavelmente das coisas que mais estranheza causa a um estrangeiro. Sobretudo no Inverno, quando os dias solares são curtos e as temperaturas baixas, parece um desperdício das horas mais agradáveis do dia. A sesta acaba também por empurrar para mais tarde o fim da jornada laboral, levando a que as pessoas jantem e se deitem tarde e acabem por dormir menos do que necessitariam. E são sobretudo estas questões de produtividade que preocupam o governo de Rajoy, empenhado em implantar, nas terras de nuestros hermanos, hábitos próximos dos da Europa do Norte, mais regrada e produtiva. Quer-me parecer que não será fácil…

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