Quando os miúdos fazem perguntas difíceis

sex-education.jpgResponder às perguntas das crianças sobre sexo ou explicar-lhes temas como o terrorismo ou a morte não são tarefas fáceis para muitos pais. Haverá uma idade indicada para falar sobre cada um? O que dizer? Os especialistas contactados pelo DN recomendam que só sejam abordados a pedido das crianças e sempre de acordo com as idades. Regra geral, primeiro surgem questões sobre a gravidez, a morte e as doenças e só mais tarde sobre o terrorismo ou o aborto.

Embora continue válida a regra universal de bom senso que manda ajustar o teor dos temas e a linguagem usada à idade e à maturidade dos miúdos, a omnipresença de fontes de informação tendem a confrontar as crianças, cada vez mais cedo, com assuntos que despertam curiosidade ou causam perturbação. O terrorismo, o drama dos refugiados, ou até a morte de um familiar ou pessoa amiga podem suscitar dúvidas que, se não forem bem esclarecidas, se podem tornar perturbadoras.

A peça do DN está recheada de bons conselhos e de exemplos acerca da melhor forma de abordar temas difíceis com crianças. Ouvir a criança, perceber primeiro o que ela pretende saber antes de dar uma resposta. Entender que os mais novos questionam a partir de vivências concretas, não de temas abstractos. Por isso, se um miúdo faz uma pergunta “estranha”, o mais provável é que tenha contactado ou vivido algo que o perturbou.

Mais difícil, mas só marginalmente abordado na peça, é tratar estes assuntos no contexto escolar. É que aqui temos, em regra, uma turma inteira pela frente, e não apenas um ou dois filhos a quem dar atenção. Ora numa turma podemos ter alunos muito diferentes, tanto ao nível da maturidade como de vivências, gostos e interesses. E ao abordar temas suscitados por alguns alunos, estamos a envolver também os colegas que nunca tinham pensado em tais assuntos. Não lhes estamos a dar tempo para chegarem lá por eles mesmos na altura certa, segundo a abordagem recomendada pela maioria dos especialistas.

Claro que aqui voltamos ao ponto onde começámos: ao bom senso, esse auxiliar indispensável de todos os professores e educadores, que nos leva a procurar esclarecer as dúvidas dos nossos alunos, adequando as respostas ao contexto da turma e do meio em que os nossos alunos se inserem. E que igualmente nos ensina que há, não só conhecimentos, mas também princípios e valores, que devem ser transmitidos às crianças desde cedo, sem que se esteja à espera que elas os solicitem.

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