Exames à vista e alunos sem aulas

escola-encerrada.jpgDesde o início do ano letivo que cerca de 60 alunos de três turmas do 9º ano de escolaridade da Escola Básica 2,3 João de Deus, em São Bartolomeu de Messines, no concelho de Silves, estão sem professor de Português. Ontem de manhã, pais, encarregados de educação e alunos perderam a paciência e fecharam a cadeado os dois portões da escola, num protesto contra a situação, que consideram “inadmissível”.

Um problema que se começa a tornar recorrente, sobretudo em escolas afastadas dos principais centros urbanos e em horários incompletos: a colocação de professores que sucessivamente recusam o lugar, podendo esta situação arrastar-se indefinidamente. No caso que hoje foi notícia, e segundo declarações dos pais, terão sido já colocados sete professores neste horário de Português. Mas nenhum aqueceu o lugar. Os prejuízos para os alunos são evidentes, mas mais notórios se tornam tratando-se de uma disciplina sujeita a exame no fim do ano lectivo.

Estes casos vão surgindo um pouco por todo o país e ao que sei têm motivado queixas por parte dos directores escolares, nas reuniões que têm tido com a tutela. Em estudo parece estar a possibilidade de, na próxima revisão do diploma dos concursos, agravar a penalização imposta aos docentes que não aceitem o lugar onde foram colocados.

Havendo milhares de professores desempregados e com vontade de trabalhar, situações de turmas sem professores meses a fio não fazem qualquer sentido. Mas a verdade é que estes casos, por enquanto isolados, são já um sintoma do que poderá ser um panorama habitual num futuro próximo.

Daqui a uma meia dúzia de anos, quando os actuais professores começarem a abandonar em massa o sistema por terem a possibilidade de, com ou sem penalizações, se aposentarem, a falta de professores em escolas isoladas, periféricas ou problemáticas será uma realidade incontornável. Até lá, vai-se empurrando o problema com a barriga, na ilusão de que ele se resolverá sozinho.

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One thought on “Exames à vista e alunos sem aulas

  1. É estranho. 3 turmas de português correspondem a 15 horas, 800 euros líquidos. Não há mesmo ninguém disponível? Ou há aqui azelhice da gestão?

    Num horário micro, percebo a falta de candidatos, mas não é o caso.

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