De pequenino se… aprende a programar!

programar.JPGO projecto-piloto de Iniciação à Programação foi lançado pelo Governo em 2015 e já abrange mais de 44 mil crianças do 1.º ciclo do ensino básico. Neste domingo, a iniciativa Movimento Código Portugal (uma campanha nacional para alertar para a importância da literacia digital), leva um programa diversificado de actividades ao Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. Curiosos de todas as idades terão a oportunidade de criarem desde jogos e aplicações até microssatélites.

Já por aqui se falou da introdução da Programação nos currículos do ensino básico e até mesmo no pré-escolar. Geralmente tida como uma área mais adequada a ser desenvolvida no ensino secundário e na universidade, a programação de computadores e de outros dispositivos electrónicos é afinal uma disciplina omnipresente nas nossas vidas, embora nem sempre demos por ela. E embora a linguagem com que se comunica directamente com os aparelhos, o chamado código-máquina, seja complexa até para informáticos experientes, há muitas linguagens de programação que podem ser criadas ou adaptadas para permitir interacções simples entre uma criança e a máquina que ela pretende controlar.

Aprender a programar desenvolve o pensamento lógico, e isso pode ter vantagens educativas interessantes mesmo para os mais novos: ensinar alguma a uma máquina implica decompor tudo o que se pretende em operações básicas, que o processador do aparelho irá executar passo a passo. Implica saber exactamente o que se pretende obter e indicar objectivamente tudo o que fazer para lá chegar, o que, diga-se de passagem é precisamente o contrário do que muitas pessoas providas em cargos de responsabilidade fazem, quando exigem coisas que não fazem a menor ideia de como poderão ser alcançadas…

Mas claro que a programação para crianças tem algumas limitações, desde logo a capacidade de abstracção que programar a sério implica e que a generalidade das crianças ainda não tem. Pelo que a exploração da vertente lúdica em torno da programação pode ser interessante para ajudar a desenvolver outras áreas do pensamento e até para deixar o “bichinho” de algo que mais tarde se poderá desenvolver, mas não nos deve levar à pretensão de criar génios informáticos no infantário ou na escola do 1º ciclo.

Do que devemos fugir a sete pés é da demagogia barata de vendedores da banha da cobra como o presidente da Câmara da Feira, ouvido para a peça do Público:

“A programação é a linguagem do futuro, das novas oportunidades e do emprego bem remunerado”, proclama o autarca. “O que para algumas gerações ainda é tabu passará a ser um conjunto de competências adaptadas ao mundo global e quem as tiver poderá trabalhar em qualquer sítio do mundo, seja em presença ou a partir de casa, sem necessidade de emigrar.”

Entendamo-nos: a programação é uma área profissional ainda em crescimento, mas não irá sê-lo para sempre. E o desenvolvimento da informática, das telecomunicações e da electrónica de consumo continuará a necessitar de muitos mais consumidores passivos dos aparelhos e das aplicações do que de programadores a desenvolver o software. Quanto às “boas remunerações”, o incentivo a que cada vez mais jovens enveredem por esta área é precisamente a melhor forma de garantir , a prazo, que as empresas possam pagar salários mais baixos aos muitos candidatos a um emprego. E ser um bom programador não envolve apenas ter “competências”: trata-se de uma área onde a vocação é essencial, a par de uma boa capacidade de abstracção e de sólidos conhecimentos de Matemática.

A verdade é que programar é uma actividade que alguns jovens adoram enquanto outros a detestam, enquanto a maioria nem sequer sabe bem o que é. Dar a conhecer a todos um pouquinho do mundo da programação, permitindo que os que sentem verdadeiro gosto por esta área possam seguir por aqui o seu caminho: eis a real vantagem e a verdadeira utilidade de aprender a programar desde os primeiros anos da escolaridade.

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