Prioridades na formação profissional

cozinheiro.gifA Junta de Freguesia de Benfica, em Lisboa, parece ser um exemplo a seguir quando se procuram saídas para o grave problema do desemprego. Esta autarquia, que se tornou a primeira do país a ser certificada como centro de formação profissional, já realizou mais de 20 cursos e formou mais de 700 pessoas, e a sua aposta não é nas áreas que estão na moda, como informática, nem em cursos com forte componente teórica:

“Os mais operacionais, ligados a áreas que caíram um bocado em desuso – jardineiro, calceteiro, mecânico, ou seja, as áreas mais ‘funcionais’ – são os que têm tido maior taxa de emprego, porque em zonas urbanas há uma forte necessidade delas”, afirma Ricardo Marques, vogal da Educação na junta. “O que faz falta em Lisboa são canalizadores, electricistas, mecânicos, jardineiros. Não vale a pena pensar que formando só físicos quânticos vamos empregar cá toda a gente, não faz sentido”.

Outra área de formação que está a ser bem sucedida nesta freguesia é a cozinha/restauração, um sector tradicional mas sempre em renovação, que está a ser impulsionado por razões mais ou menos óbvias – o desenvolvimento turístico – e outras mais surpreendentes, como a crescente procura de profissionais qualificados para as cantinas de escolas, centros de dia e outros espaços comunitários.

Em suma, nem todos precisam de ser masterchefs, engenheiros aeronáuticos ou génios da programação ou da gestão para terem um futuro sorridente diante de si. Há muitas outras profissões úteis e necessárias que respondem tanto às necessidades da sociedade como às das pessoas que precisam de trabalhar para ganhar a vida. Pelo que continuar a investir em formação adequada e de qualidade afigura-se uma aposta ganha à partida.

Onde tudo isto continua a falhar é nos baixos salários que se auferem na maioria destas profissões tradicionais. Podemos dar valor, no momento, a uma refeição saborosa e bem confeccionada, ao mecânico que afinou na perfeição o nosso automóvel ou até à boa execução de uma bela calçada portuguesa. Mas essa valorização não se traduz, depois, num salário que remunere dignamente o trabalhador. E quando constatamos que uma profissão exercida a tempo inteiro não permite a quem a exerce libertar-se da pobreza estamos perante a verdadeira dimensão de um problema que não se resolve apenas com mais formação profissional.

 

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