Alunos calmos e concentrados

meditacaoDe norte a sul do País, há cada vez mais escolas a oferecer aos alunos a possibilidade de praticar meditação, mas o número ainda é residual. Crisom Meditare é uma técnica que foi desenvolvida durante oito anos por Sílvia Gomes, professora com formação em música e investigação na área desta prática. Chegou às escolas no ano passado, mais concretamente à E.B.1 da Glória, em Aveiro, onde já faz parte do currículo, abrangendo atualmente cerca de 200 crianças. Na Vigia, é uma atividade paga e promovida pelo ATL.

As crianças têm energia para dar e vender. “Acham que estar quietas é uma seca”, pelo que é um grande desafio fazê-las parar. “São o nosso futuro. Se as conseguirmos tranquilizar, vamos mudar a nossa sociedade daqui a 20 ou 30 anos”. Sílvia quer “ajudar as crianças a crescer fora do stresse dos pais”. A meditação permite-lhes “controlar as emoções para que sintam, ajam e vivam de maneira diferente”. Por outro lado, estas práticas “auxiliam a memória e a concentração”, o que leva a uma “maior eficácia ao nível da aprendizagem”.

A escola e a sociedade mudaram bastante nas últimas décadas. As crianças passam mais tempo nas salas de aula e até os tempos livres são muitas vezes preenchidos com actividades organizadas pelos adultos. A brincadeira espontânea entre miúdos, ao ar livre, em muitos lados simplesmente desapareceu, e tanto a actividade física como a convivência com os pares e os adultos são preteridas a favor da interacção com os ecrãs de tablets, telemóveis e computadores.

E isto origina uma realidade que todos os professores conhecem bem: crianças e jovens que se agitam nas salas de aula sem se conseguirem concentrar, desinteresse até por matérias que sempre suscitaram curiosidade nos mais novos, mas que agora não conseguem competir com os jogos e os bonecos mais aliciantes que correm nos ecrãs. Há quem goste de se iludir, pensando que os alunos de hoje funcionam segundo novos paradigmas mentais, que a aparente distracção é na verdade um sinal de que estão em modo de multitarefa e conseguem, ao contrário de nós, pensar e fazer várias coisas ao mesmo tempo. Não me parece. Quando alguém, miúdo ou graúdo, precisa que lhe digam duas ou três vezes uma informação simples até a conseguir assimilar, isto não tem a ver com paradigmas: está apenas completamente distraído.

A meditação pode ajudar a melhorar a acalmar mentes agitadas e a promover a concentração quando ela é necessária para trabalhar, aprender ou simplesmente interagir com os outros de forma civilizada e construtiva: a ideia já não é nova, mas ganhou maior pertinência nesta sociedade sobrepovoada de estímulos a que os nossos alunos, obviamente, não são indiferentes. E tem uma vantagem importante: ao contrário de outras estratégias para melhorar a concentração e a disciplina que se baseiam na actuação do professor, esta é uma prática que é feita com os alunos e que os vai capacitando para gerirem e controlarem, por si próprios, os seus impulsos e emoções.

Juliana Gonçalves, 10 anos, faz parte da segunda turma que tem sessões de meditação – de 30 minutos cada – à terça-feira na Vigia. “Andava sempre muito nervosa e a minha mãe inscreveu-me para me acalmar”, conta ao DN. Quando sai da aula diz que se sente “mais relaxada” e “às vezes” até pratica em casa. Laura Bernardes, 9 anos, também: “Em casa, cruzo as pernas à chinês, fecho os olhos e tento relaxar. Fico menos nervosa, mais serena e tranquila.”

Quando questionamos os alunos sobre o que mais gostam, dizem prontamente: fechar os olhos e tocar “os instrumentos da professora”. Além da taça de som e do sino, Sílvia costuma levar tambores, maracas e outros instrumentos de percussão. A música, “tendo uma estrutura predefinida”, ajuda crianças e adultos a chegar a um estado meditativo “muito mais rápido e intenso, gerando transformações psico-fisiológicas”. Aquele som é depois levado para outras situações do dia a dia. “A meditação não faz milagres, mas consegue mudar comportamentos”, destaca a formadora.

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